«A Natividade do Senhor»

21 de dezembro de 2009 § Deixe um comentário

 

Texto bíblico: Lucas 2, 1-20

Introdução

Este ícone segue o esquema tradicional da representação do nascimento de Jesus Cristo, segundo a Igreja Ortodoxa, que reúne em um mesmo ícone narrações dos Evangelhos e dos Apócrifos.

O ícone da Natividade é o prólogo dessa grande epopéia que é a história da Salvação. E, como no Prólogo dos poemas encontramos sintetizados os pontos destacados do que se cantará, assim, no ícone da Natividade contemplamos o conjunto dos mistérios do cristianismo: a encarnação, a morte e a ressurreição.

«Este é o acontecimento pelos quais os Patriarcas suspiravam,
os Profetas predisseram e os justos desejavam ver» .

S. João Crisóstomo, Sermão 34

«Deus se manifestou nascendo,
a Palavra toma expressão,
o invisível se faz visível,
o inatingível se faz palpável,
o intemporal entra no tempo,
o Filho de Deus se torna Filho do Homem».
S. Gregório Naziazeno. Sermão 38
«Que podemos te oferecer, ó Cristo,
por nos teres te mostrado sobre a terra, como homem?
Cada uma de tuas criaturas traz seu testemunho de gratidão:
os Anjos te oferecem o canto, os céus a estrela,
os Magos seus presentes, os Pastores seu assombro,
a Terra uma gruta, o deserto um presépio.
Nós, porém oferecemos-te uma Mãe Virgem».

Hino de Vésperas – atribuído a Anatólio

A Montanha, os Anjos e os Pastores

A Montanha

A cena está enquadrada por uma montanha em forma piramidal que se estende por todo espaço visual do ícone. É a montanha messiânica tal como Isaias o profetizou:

«O Monte do Senhor será erigido acima das montanhas e será mais alto que as colinas"…

«Ele agitará a mão até o Monte da Filha de Sião, até a Colina de Jerusalém»…

«Não se terá mais dano nem mal sobre meu monte santo, porque o país estará cheio do conhecimento do Senhor» (Is 2, 2; 10, 32; 11, 9)

A Montanha do Senhor, resplandecente, vem ao mundo, transpassa e transcende cada colina e cada montanha, quer dizer, a altura dos Anjos e dos homens. A montanha é Cristo.

Em alguns casos o monte apresenta dois cumes: as duas naturezas de Cristo, a humana e a divina.

Em primeiro plano, relativo à Montanha, se faz sempre representada a Mãe de Deus. Isto vem significar que a montanha é também imagem da Virgem: «O Monte Sião que ele ama» (Sl 77,68). «É a montanha que Deus se dignou eleger para sua morada» (Sl 67; 17-4).

O centro da cena é ocupado por uma plataforma onde Maria esta ajoelhada, pela gruta do nascimento na que Deus se manifesta. Nesta Montanha, o Novo Sinai, de onde Deus se revela, Deus é quem está à entrada da gruta e a humanidade, simbolizada por Maria, pode ver face a face a Deus sem cobrir o rosto, pois Deus está sob o véu da carne em Jesus Cristo. Deus se fez homem. Deus se fez visível e acessível ao homem.

O contrário se passou na revelação do Sinai a Moisés: este se esconde na gruta e se cobre diante de Deus, só o pode ver a sombra, já que o homem não pode resistir ao esplendor e a beleza divina.

Por isso Deus se encarna, para fazer-se acessível ao homem, e para que este O possa ver sem medo e nem ter de cobrir seu rosto.

Os Anjos

Acima se fazem representar um grupo de anjos que cantam, contemplando o céu e a terra: «Glória a Deus nas alturas e na Terra paz aos homens que o Senhor ama». Representam a a natureza angélica que acode o evento extraordinário; um deles destacado do grupo, encontra-se falando com um ou mais pastores.

Este anjo anuncia ao pastor a grande alegria da salvação e o faz estendendo a mão e fazendo o sinal da encarnação trinitária: dois dedos juntos e três tocando-se pelas pontas. Seu significado é a salvação vinda de Deus Uno e Trino, através da encarnação de Cristo. O pastor e o Anjo estão em diálogo. Com a encarnação de Jesus Cristo, o mundo divino e o humano iniciam um dialogo que nunca mais se perderá. Deus estará no meio dos homens Ele mesmo lhes falará, e cada homem poderá falar diretamente com Deus, sem intermediários.

O Pastor

O Pastor, ou pastores, representam o povo «que caminha nas trevas e que viu uma grande luz» (Is 9,1). COm efeito, havia aparecido a luz sobre os habitantes da terra de sombras e de morte. Disse o anjo: «Anuncio-lhes uma grande alegria, lhes trago uma boa notícia, para todo o povo, pois nasceu para vós um Salvador, que é o Messias,o Senhor, na cidade de Davi. Isto tereis como sinal: encontrareis um menino envolto em panos e reclinado num presépio» (Os 10,12; Is 61,11).

Aos pés do Pastor, há um menino tocando uma flauta, é antítese da música celestial e faz referencia a um hino de matinas da vigília: «interrompendo o som das flautas dos pastores, a armada celestial gritava»…

 

A Gruta, a Virgem e o Menino

A Gruta

No centro do ícone se abre uma gruta que mostra as entranhas da montanha. Representa o inferno e a morte sobre as quais encontra-se Cristo, e que tentam engoli-Lo. É a mesma voracidade obscura que se fala no ícone da Ressurreição.

A Virgem

Fora da gruta está representada a Mãe de Deus. Geralmente está recostada, algumas vezes sentada e outras, ainda, joelhada, como neste caso. Esta postura ultima denota a influência ocidental. Ela é a Rainha que está erguida à tua direita posto que ela é a Mãe do Rei, aquela que goza da divina confiança e que realizou nela maravilhas.

A Virgem geralmente não olha para o menino, mas para o infinito, custodiando e refletindo em seu coração tudo aquilo que de extraordinário aconteceu com ela. (Lc 2,19) Sobre seu rosto se lê a tristeza humana de uma mãe que queria dar algo maior a seu Senhor e parece dizer:

«Quando Sara trouxe ao mundo um filho,
este recebeu vastos territórios como homenagem;
eu, ao contrário, não tenho nada:
emprestaram-me esta gruta onde quiseste habitar,
meu pequeno, Deus antes dos séculos»

Romano o Melode XIII,14

A Mãe de Deus é colocada próxima ao coração da Montanha; «representa a luz que emana da sarsa do Sinai». (S. Gregório de Nicéia, sermão 21,119)

Maria estava vestida com seu manto donde as estrelas (frente a ambos os ombros) proclamam sua virgindade antes e depois do parto. Representam o sinal da santificação trabalhada nela pela Trindade para que fosse progenitora de Deus.

«Virgem antes e depois do parto, sempre Virgem no espírito, na alma e no corpo»

(São João Damasceno, sermão 57,5)

«Pois Deus era Aquele de quem ela nasceu,
pela natureza seu curso mudou […]
Israel atravessou o mar sem se molhar;
agora a Virgem gerou a Cristo sem se contaminar.
Depois da travessia de Israel, o mar tornou-se intransponível,
a Imaculada, depois do nascimento do Emanuel
permaneceu incorruptível»

Hino da Mãe de Deus – Theotokos

Adora a seu Filho e Deus em atitude de serva do Senhor, disposta a fazer tudo o que o diga, assim as expressam suas mãos cruzadas no peito.

O Menino

Entre a Virgem e a entrada da Gruta aparece o Menino envolto em panos colocado mais que em um presépio, em um sepulcro de forma tradicionalmente retilíneo. O Menino está envolto como numa mortalha. Evoca a figura mortuária, em concreto, a imagem de Lázaro que o presépio-sarcófago contribui para o evidenciar.

«Está envolto em panos por quantos haviam revestido então as túnicas da piedade»

(Romano o Melode XIII-14 e Gn 3,21).

Os panos serão para os pastores sinal de reconhecimento do menino, como o serão sinal tangível da Ressurreição para as mulheres, Pedro e João ante o sepulcro vazio. (Lc 2, 13; Jo 20, 1ss)

Os panos do menino são as vendas mortuárias que, depois, aparecerão espalhadas pelo sepulcro, quando ressuscitou. Este Menino é, doravante, o que vai vencer a morte com sua Ressurreição. Nascemos para morrer e ressuscitar com Ele.

Já desde o princípio da Vida de Jesus, a Igreja o proclama Vencedor da Morte na representação de seu nascimento. É Ele o Sol das trevas que nos tirou dos braços da morte.

[…] «Seu corpo foi como um servo, jogado nos braços da morte, a quem o dragão infernal esperava devorar; tivera, no entanto, que vomitar aqueles que já havia devorado. Ele venceu a morte para sempre e secou as lágrimas dos olhos de todos».

(S. Cirilo de Jerusalém. Catequese 12, 15)

«Da Virgem nasceu o Rei da Glória, revestido de púrpura de sua carne, que visitou os prisioneiros e proclamou a libertação aos quantos habitavam nas sombras».

(São João Damasceno, sermão 54)

«Como Jonas, no ventre da baleia, Cristo entrou na face da morte, como novo Adão, para recuperar a dracma perdida: o gênero humano. Os céus se inclinam até a profundeza dos abismos, nas profundas sombras do pecado. Chama portadora de de luz, a carne de Deus, dissipa as sombras do inferno sob terra. A luz resplandece nas trevas, mas as sombras não a viram».

(Orígenes)

Animais

No interior da gruta, se distinguem o boi e o asno, na iconografia eslava, acrescenta-se um cavalo. Estes animais têm diversos significados: o boi representa o culto a Mitra; o asno o culto a luxúria, representação daqueles que, tendo o mistério da Encarnação de Deus diante de si, não sabem vê-lo ou não querem vê-lo, daí seu olhar inexpressível se dirigem a um ponto perdido. São também a representação das forças instintivas irracionais que emergem das profundezas da alma humana e levam ao pecado, e que Cristo abrandará através de sua vida, morte e Ressurreição. Maria representa esta natureza que, plena de Deus, se liberta de tudo o que não seja Deus mesmo, e se espiritualiza até o ponto de viver só para Ele e por Ele. O corpo de Maria é esguio , magro; o dos animais, gordo e arredondado. E, por último, representam a palavra do Profeta Isaías:

«o boi conhece seu dono e o asno o presépio de seu dono; Israel, no entanto, não entende, meu povo não tem conhecimento»

(Is 1,3)

José; Pastor-Demônio; Árvore

José

Na parte inferior aparece José pensativo e afastado. Diante de um homem vestido com peles e apoiado em um bastão. José personifica o drama humano: o homem ante o mistério. José se interroga frente ao mistério. José duvida do possível adultério de Maria.

Demônio-pastor

A literatura apócrifa atribui a José esta dúvida, e o Pastor que fala com ele, apoiado num bastão, alimenta e confirma os pensamentos de José, já que é o diabo que suscita uma tormenta de sentimentos encontrados no interior de José. O diabo, vestido com peles de cabra, o tenta sobre a virgindade de Maria, dizendo-lhe, segundo os apócrifos: «como este bastão que eu levo não pode produzir brotos, do mesmo modo, um velho como tu não pode engendrar e uma virgem não pode engravidar».

Como todo tentador é insinuante, amável e sedutor, aparece o diabo sob forma tranqüila, coloquial e amistosa com José. Ele está vulnerável sobre a decisão que tem de tomar. Toda tentação nos faz vacilar, se nosso olhar não está posto em Cristo e sobre nós mesmos.

A Árvore

A tradição dá ao pastor o nome de Tirso. Na antiguidade pagã, tirso era um grande bastão, atributo típico de Dionísio e de seus sátiros e bacantes, entidades representativas do paganismo e do racionalismo.

Junto ao pastor-demônio, há um arvoredo que brota de um tronco seco. «Um rebento brota do tronco de Jessé; um broto surge de suas raízes. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor; por ele o Senhor resgatará o seu povo» (Is 11, 1-2) O Arvoredo representa uma resposta às palavras do pastor-demônio. «Deus não é escravo das leis que regulam a vegetação; é seu Criador e, se fez brotar a vara de Araão, muito mais, pode fazer com que uma Virgem floresça e dê frutos». (Cirilo de Jerusalém. Catequese XII, 28)

Nuvem. Estrela, o Assombro do criado

 

Nuvem e Estrela

Na parte superior do ícone apresenta-se uma nuvem que se retira para o céu. Os apócrifos contam que «no momento do nascimento, a nuvem que recobria a gruta se dissipou e apareceu uma grande luz que a vista não era capaz de suportar. Logo esta luz se diminuiu lentamente e apareceu o menino». Proto-evangelho de São Tiago 19, 2

A nuvem evoca a presença de Deus que pôs nas sombras seu esconderijo. (Sl 17, 12) A nuvem é de grande tradição e de grande simbolismo no Antigo Testamento, e sempre revela a presença misteriosa de Deus. A Nuvem guia o povo de Israel pelo deserto até a Terra Prometida; a nuvem revela Deus no monte Sinai; no Monte Tabor, Jesus se transfigura tornando-se resplandecente como uma nuvem; na Ascensão, a nuvem vela a visão do Ressuscitado.

Da nuvem, o céu aberto faz descer um facho de luz até a terra que se divide em três raios em direção ao o menino: é a Santíssima Trindade que se manifesta como luz. Ao mesmo tempo representa a estrela. Em alguns ícones aparece dentro uma pomba do Espírito, e em outros uma cruz: Jesus nasce para morrer e ressuscitar.

«O Filho de Deus é o ícone vivo e idêntico do Pai através do qual tivemos acesso ao Pai. Nossa mente, iluminada pelo espírito, olha o Filho e, no Filho, como num ícone, contempla o Pai».

Macário Crisocéfalo.

A estrela é a realização da Profecia de Isaias:

«Levanta-te e resplandece, pois chegou tua luz; e a glória do Senhor amanhece sobre ti, entre a obscuridade envolve a terra e as trevas dos povos; sobre ti vem a aurora do Senhor»

(Isaias 60,1-4)

Assombro do criado

Está representado pelas ovelhas ou cabras que estão diante do menino que toca flauta e olham para o alto. Eles expressam o assombro da Criação diante de tão grande mistério: Deus se fez homem. Ninguém consegue prosseguir em sua ação natural, tal é o estupor e o temor do Universo que reconhece a presença de Deus e se extasia ante a sua misericórdia. A Criação fica transtornada diante de tanta maravilha. Isto vem narrado nos apócrifos: Proto-evangelho de São Tiago 18, 1-3 e no Hino das Grandes Horas da Natividade.

Os Magos

Sob os Anjos, que cantam a glória, aparecem à cavalo os três reis do Oriente, guiados por uma estrela que olham e que tem a forma de cruz dourada e gloriosa; seguem Aquele que morrerá e ressuscitará e dará a toda humanidade a entrada para a vida eterna. Os magos representam os homens excluídos da Antiga Aliança que o Novo Reino Messiânico ha de incluir. Os santos, os justos, ainda que não sejam de Israel, são agradáveis a Deus, e Cristo estende sua predileção e primogenitura a todos os povos, representados pelos magos.

Os magos prefiguram as mulheres miróforas que, a caminho do sepulcro se animavam dizendo:

«Apreciemo-No e O adoremos como os Magos, e levaremos como presentes ungüentos Àquele que já não está envolto em panos, mas em uma mortalha».

(Ode VI do Cânon das matinas da Ressurreição)

Os magos, por sua vez, como as miróforas, se converteram em «divinas testemunhas que, ao retornar para as suas terras, anunciaram Cristo a todos». (Hino Akasthitos) de Romano Melode XII, 21.

«Os Magos viram nas mãos da Virgem Aquele que plasmou com as suas mãos os homens; e compreendendo que era o Senhor, ainda que tivesse tomado a forma de servo, apressaram-se a honrá-lo com um tríplice dom, como o Hino dos Serafins que o proclama três vezes Santo».

(Hino Akasthitos) de Romano Melode XII, 21.)

A tradição iconográfica transmitiu uma constante sobre os magos: a idade. Apresentam-no com semblantes: jovem, adulto e velho, representando assim as três idades do homem em uma única síntese visual.

Banho, Comadre-Eva

Comadre

Na parte inferior deste ícone há duas mulheres que preparam o banho do menino. Isto é influência da iconografia helenística que tanto influenciou a Arte Cristã. Tem ainda seu desenvolvimento cristão nos Apócrifos, na verdade, no Proto-evangelho de Santiago, 19 e 20. Ali se narra como uma parteira testemunhou a maternidade divina de Maria, e Salomé certifica a Virgindade de Maria e presta a ela sua ajuda banhando o Menino.

Segundo a tradição, a comadre é Eva que, junto a Salomé, se ocupa do Menino. Eva dá a vida mortal, Maria a imortal. Maria põe nas mãos de Eva a Vida Imortal: seu Filho.

Neste ícone, o menino se apresenta com feição de gente maior, com entradas nos cabelos porque é desde o principio, verdadeiramente homem.

O Menino Jesus do banho nas mãos de Eva, acentua sua debilidade e morte, sua humanidade. Como homem necessita de cuidados, atenções e cobre suas necessidades. É, portanto, homem, não só na aparência mas, realmente. É a síntese de todo o ícone: Jesus Cristo, Deus e Homem.

Banho

A Imagem do banho ganhou um significado todo especial: a imagem do Batismo. O recipiente onde o menino é banhado tem a forma de uma pia batismal, prefiguração de sua morte e descida aos infernos. O banho é como um enterro num sepulcro líquido, o mesmo em que está imerso o Cristo no ícone da Epifania.

«No Sacramento do Batismo, o ato de imergir nas águas e voltar a sair, simboliza a descida aos infernos e a saída desta morada junto com Cristo».

(São João Crisóstomo Homilia 40)

«Pelo Batismos morremos, para ressuscitar com Ele».

Rm 6, 1-4.

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Para Momentos de Dúvidas

12 de junho de 2009 § Deixe um comentário

descida_ao_inferno

anunciacao natividade CristoSembr cucifixao

“Mas, desde o nascente do sol até ao poente, é grande entre as nações o meu nome; e em todo lugar lhe é queimado incenso e trazidas ofertas puras, porque o meu nome é grande entre as nações, diz o SENHOR dos Exércitos”. Malaquias 1:11

HINO PARA A EPIFANIA

6 de janeiro de 2009 § Deixe um comentário

Romano, o melodista

Romano, o melodista

Ergamos todos os olhos para o Senhor que está nos céus, e digamos, como o profeta: «Fez a Sua aparição na terra, onde permaneceu entre os homens» (Bar 3, 38). Esse mesmo que aos profetas Se mostrou sob aparências várias, Esse que surgiu a Ezequiel na aparência de um homem num trono de fogo (Ez 1, 26) e que Daniel viu como Filho do Homem e Ancião, idoso e jovem ao mesmo tempo (Dn 7, 9.13), proclamando-O como um só Senhor, Esse é Aquele que apareceu e que tudo iluminou.

 

 

 

 

Ele fez dissipar a noite sinistra; graças a Ele, é sempre dia. Resplandeceu no mundo a luz sem ocaso, Jesus, nosso Salvador. O país de Zabulão vive na abundância e imita o paraíso, pois todos podem «saciar-se» no seu «rio de delícias» (Sl 35, 9), e faz desaguar nele uma corrente de água sempre viva […]. Na Galileia contemplamos «a fonte da vida» (v. 10), Aquele que apareceu e que tudo iluminou.

 

Também eu Te verei, Jesus, a iluminar o meu espírito e a dizer aos meus pensamentos: «Se alguém tem sede, venha a Mim e beba!» (Jo 7, 37). Refresca este coração humilhado que a minha vida errante fez quebrar. Ela consumiu-o, na fome e na sede; não fome de alimentos, não sede de beber, mas de ouvir as palavras do Senhor (Am 8, 11) […]. Por isso o meu coração geme baixinho, esperando o Teu juízo, o que vem de Ti, que apareceste e que tudo iluminaste […]

 

Dá-me um sinal claro, purifica os meus erros escondidos, pois as feridas minam-me […] A Teus joelhos me rojo, Salvador, como a hemorroísa. Também eu toco na fímbria da Tua túnica e digo: «Se ao menos tocar nas Suas vestes, ficarei curado.» (Mc 5, 28). Não faças vã a minha fé, Tu, que És médico das almas […]. Encontrar-Te-ei, para minha salvação, a Ti, que apareceste e que tudo iluminaste.

 

São Romano, o Melodista (?-c. 569),
2º Hino para a Epifania, § 15-18

 

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