Um Balanço Positivo

17 de junho de 2010 § Deixe um comentário

A santa Igreja Ortodoxa no Brasil (sob Jurisdição da Igreja Ortodoxa Ukraniana na América) muito se alegrou com a visita do nosso Arcebispo Maior para as Américas Central e do Sul, Vladyka Chrysóstomos.

Foi – sob todos os pontos de vista – uma experiência muito rica e edificante. Dom Chrysóstomos se mostrou para nós, não somente um autêntico bispo, como também, um irmão e amigo (parafraseando suas próprias palavras).

Em que nos enriqueceu a visita de nosso Arcebispo?

Fomos enriquecidos por seu exemplo de zelo apostólico e amor paternal, revelados

Arquidiácono Nicolás
Arquidiácono Nicolás

em seu trato com o Altar, com o clero e os fiéis; sempre disposto a ensinar como um amigo, ignorando o cansaço imposto por uma agenda sobrecarregada pela exigüidade do tempo em relação às necessidades da Igreja. Literalmente o Arcebispo não descansou durante os sete dias de visitas, o que nos constrangia um pouco, no entanto ele nos confortava: “Eu não vim ao Brasil para fazer turismo, mas para ajudar a Igreja”. Sem pedir e nem aceitar donativos (refiro-me à prática da Simonia, infelizmente presente em alguns prelados), antes nos trazendo donativos que sabemos estar acima de suas posses. Aqui, também, queremos expressar nossa gratidão e apreço ao Reverendo Padre Arquidiácono Nicolás (mui talentoso iconógrafo e agraciado por muitos outros dons) que participou de todos os donativos.

Fomos enriquecidos com sua ênfase e estímulo para a vida de santidade (razão da vida cristã), nos dando lições práticas da vida de oração e de ética cristã.

Fomos enriquecidos canonicamente, posto que por seus atos e decretos, sanou deficiências e solidificou nossa identidade.

O Arcebispo Chrysóstomos nos fortaleceu o ânimo com sua visão de lutar pelo estabelecimento de uma Ortodoxia para Latino-Americanos, a qual é ao mesmo tempo, pluri-étnica (posto que não rechaça nenhuma outra etnia). Este é um grande desafio, para o qual nos sentimos indignos, mas dispostos a servir a Deus, conforme o Seu beneplácito.

Padre Mateus

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Sobre a Quaresma, a Data da Páscoa e o Carnaval

11 de fevereiro de 2010 § Deixe um comentário

O Combate do carnaval e da Quaresma de Peter Brueghel, "o Velho"

O Jornalista Carlos Orsi em seu blog do Estadão ao tentar explicar a data do Carnaval (Por que o Carnaval É No Carnaval?), termina por fazer uma excelente abordagem sob a data da Páscoa. Várias pessoas postaram comentários. Segue cópia do meu texto:

Sr. Carlos,

Parabéns pelo estilo jovial ao expor uma questão complexa para o entendimento laico e, Tb pela educação refinada nas respostas às críticas duras (ao meu ver improcedentes).

O “Bart” fez uma observação que é uma verdade parcial (realidade apenas nas Igrejas Ocidentais sob a jurisdição do Bispo de Roma, isto é, Católica Romana) qt à redução do jejum da Quaresma. Na Igreja Ortodoxa – quer no Oriente ou no Ocidente (e nas igrejas orientais sob jurisdição de Roma) o jejum é integral, terminando logo após a Liturgia Pascal, ou seja, após às 12h do Domingo da Ressurreição.

Também o início da Quaresma não é na quarta-feira de cinzas, e sim, no domingo de carnaval(1), fazendo contraste com a festa pagã (que diga-se de passagem traz em seu bojo uma dimensão mística; mas isto é outro assunto). Portanto, a Igreja Ortodoxa observa até o dias de hoje a tradição iniciada no Concílio de Nicéia, 325 dC, tradição esta que foi comum tanto no Oriente como no Ocidente até a reforma do Papa Gregório VII (que instituiu o calendário Gregoriano) e, a partir daí o Ocidente latino seguiu um caminho próprio, deixando a Tradição Ecumênica ou Católica.

Obs. A Páscoa nunca foi uma festa pagã. Ela surgiu por ocasião da saída dos Israelitas do Egito (cerca de 15 séculos antes de Cristo) em comemoração à libertação que Deus provera a Israel. Cristo foi sacrificado na Páscoa (por isto a simbologia do cordeiro que é comido na refeição, revida na Cerimônia Eucarística. Páscoa significa “passagem”( a morte e ressurreição de Cristo nos possibilita a passagem da morte para a vida. Em ambas tradições, a judaica e a cristã, a Páscoa nasce de uma experiência com o Deus Único. Não tendo nenhuma ligação com o paganismo.

Atenciosamente,

Pe. Mateus (Antonio Eça)

pe.mateus@igrejaortodoxa.org

Observação:

O Blog “Seleta Envelhecida” também trás uma boa matéria sobre o “Ciclo do Carnaval”, apesar de algumas nuanças refletirem uma tradição particular da Igreja de Roma e não da Ortodoxia.

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(1) A rigor a Grande Quaresma é contada a partir da segunda-feira logo após o “Domingo da Abstenção de Queijo” o qual é precedido do “Domingo da Abstenção da Carne” (no calendário civil, domingo de carnaval) fechando, assim, o Ciclo do Triodion que consiste numa Pré-Quaresma, adaptando os fiéis para a grande jornada até a Páscoa.

Las Fiestas Navideñas

19 de dezembro de 2009 § 1 comentário

Dom Chrysóstomos

La Navidad es la celebración anual en la que se conmemora el nacimiento de Jesucristo en Belén según los evangelios de san Mateo y san Lucas. Después de la Pascua de Resurrección es la fiesta más importante del año eclesiástico cristiano.

Como los evangelios no mencionan fechas, no es seguro que Jesús naciera el 25 de Diciembre, y esta completamente comprobado que no es la fecha real de su nacimiento. De hecho, el día de Navidad no fue oficialmente reconocido hasta el año 345, cuando por influencia de san Juan Crisóstomo y san Gregorio de Nacianceno se proclamó ese día como fecha de la Natividad de Jesús. De esta manera seguía la política de la iglesia primitiva de absorber en lugar de reprimir los ritos paganos existentes, que desde los primeros tiempos habían celebrado el solsticio de Invierno y la llegada de la Primavera:

Para los persas, Mitra era un dios nacido de una piedra, de ahí que salgan chispas del pedernal, como rayos de sol, si le golpea. Los romanos lo adoptaron como divinidad solar, rindiéndole culto con sacrificios humanos. Los que querían iniciarse en su culto pasaban terribles pruebas como flagelaciones y torturas con fuego. Las Mitráicas, fiestas en su honor, se celebraban el 25 de Diciembre.

La fiesta pagana más estrechamente asociada con la Navidad era el Saturnal romano (también llamadas Saturnalias o Saturnales), del 17 al 23 de Diciembre.

En honor a Saturno, dios de la agricultura, a la luz de velas y antorchas, se celebraba el fin del periodo mas oscuro del año y el nacimiento del nuevo periodo de luz, o nacimiento del Sol Invictus, coincidiendo con la entrada del Sol en el signo de Capricornio (solsticio de Invierno).

Eran siete días de bulliciosas diversiones, banquetes e intercambio de regalos. Las fiestas comenzaban con un sacrificio en el Templo de Saturno, al pie de la colina del Capitolio, la zona más sagrada de Roma, seguido de un banquete público al que estaba invitado todo el mundo.

Los romanos asociaban a Saturno con el dios prehelénico Cronos, que estuvo en activo durante la edad de oro de la tierra. Durante las saturnales, los esclavos eran frecuentemente liberados de sus obligaciones y sus papeles cambiados con los de sus dueños.

Posteriormente, el nacimiento del Sol y su nuevo periodo de luz fueron sustituidas por el nacimiento del verdadero Señor para la Iglesia: Jesús de Nazaret. Y gradualmente las costumbres paganas pasaron al Día de Año Nuevo, siendo asimiladas finalmente por la fiesta cristiana de Navidad.

Al mismo tiempo, se celebraba en el norte de Europa una fiesta de invierno similar, conocida como Yule, en la que se quemaban grandes troncos adornados con ramas y cintas en honor de los dioses para conseguir que el sol brillara con más fuerza.

El cálculo del calendario cristiano, que es aceptado por todas las naciones desarrolladas, debe su origen al monje romano del siglo VI, Dionisio el Menor. Según sus cómputos, el Nacimiento de Nuestro Señor Jesucristo sucedió en el año 754 después de la fundación de Roma. Sin embargo más adelante, Ideler, conocido astrónomo alemán (l846) contabilizó, que el Nacimiento de Jesucristo sucedió algo antes — en el 749 o 750 después de la fundación de Roma. Si tuviéramos en cuenta sus estudios, como más correctos, tendríamos que agregar al año en curso unos cuatro años más.

Vivamos la Navidad como una oportunidad de vivir intensamente la doctrina de nuestro Señor Jesús y de compartir su Amor y enseñanzas a los que nos rodean.

Arcebispo Chrysóstomos

Artigo publicado na “Hoja Dominical”

(Boletim Semanal da Igreja Ortodoxa Ucraniana na América, Diocese da América do Sul).

Matrimônio Gay?

20 de setembro de 2009 § 1 comentário

O noticiário sobre uniões homossexuais abençoadas por clérigos, em breve deixará o campo do exótico para assumir lugar comum nos meio de comunicação em nosso país. E isto é algo que os fiéis em Cristo devem encarar com certo grau de naturalidade, bem como sinal de alerta e motivo de caótico júbilo.

Com “naturalidade”, porque o próprio Cristo e depois os apóstolos nos alertaram para estes tempos: falsificações (falsos cristos e falsos profetas), escândalos, mentalidade pervertida (aumento da iniqüidade) e etc (Mateus 24).

Como sinal, porque nos alerta para a necessidade de aumentarmos os nossos esforços pessoais para viver uma vida de santidade (quem for santo, santifique-se mais ainda – Apocalipse 22:11).

Com caótico júbilo, porque estas coisas nos convidam a olhar para os céus e ver que a nossa redenção se aproxima (Lucas 21:28). Cristo nos convida a encarar estes tempos obscuros como uma mulher que sente dores de parto; pois a dor da agonia é suplantada pela felicidade de uma criança vir ao mundo (João 16:21). Assim, a realidade caótica deve servir como preâmbulo do novo dia que se aproxima, porque quanto mais próxima a aurora, mais fria é a madrugada.

Os cristãos latentes ou simpatizantes com o cristianismo, algumas vezes questionam o porquê da condenação da Igreja ao homossexualismo e o repúdio a grupos e entidades que utilizem os sacramentos e símbolos cristãos para legitimar tal prática.

Todo o sacramento (este termo é a tradução latina do grego “misterion”) é em essência um ícone de Cristo, ou seja, possui duas naturezas: a humana e a divina. A sua dimensão visível está na forma (símbolo) que encerra uma realidade invisível, incapaz de ser delineada por qualquer forma ou palavras; realidades que transcendem toda e qualquer racionalização ou paradigma da natural razão.

Bodas em Caná

O matrimônio, por exemplo, não pode ser reduzido ou encerrado aos limites da sexualidade erótica, reprodutiva ou da satisfação psicológica. Estas dimensões se fazem presentes no mistério (sacramento) do matrimônio, mas não o encerra nela. Segundo o ensino apostólico (Efésios 5:31,32) o matrimônio aponta para a união entre Cristo e a Igreja, para a realização do projeto Divino de deificar a humanidade (João 17). A união homossexual não alcança esta dimensão, uma vez que lhe faltam os elementos indispensáveis para compor a imagem de Deus no homem (o macho e a fêmea – que formam uma pluri-unidade); ou seja, à união homossexual, ou lhe falta o elemento masculino ou o feminino, a bipolaridade necessária, reflexo (imagem, ícone) de Deus (Gênesis 1:26). Sendo, em sua realidade última, a prefiguração da união entre Cristo e a Nova Humanidade (Igreja), o matrimônio é um caminho espiritual que nos leva à união com Deus e não encontra sua plenitude na mera satisfação dos sentidos. Este é o vinho que se acaba e que foi primeiro servido por ser julgado o melhor. No entanto, é o segundo vinho, aquele que foi transformado, que surpreende a todos e confere perenidade à festa, conforme é narrado o milagre em Caná da Galiléia, o primeiro sinal messiânico de Cristo entre os homens (João 2:1-11). Não é por acaso que a Igreja Ortodoxa lê obrigatoriamente este texto no Rito do Noivado e Matrimônio. É, portanto, muito significativo que Cristo tenha iniciado seus sinais messiânicos exatamente em uma festa de casamento, ícone verdadeiro da salvação Divina.

filosofia gay despreza esta dimensão sacramental porque ela é fruto da mentalidade secular e materialista que se estabeleceu na sociedade ocidental, que tem como uma de suas principais características o reducionismo do sagrado. Nesta mentalidade a religião deve se limitar ao campo do privado e os conceitos que dela emergem, subordinados aos das ciências humanas. Por isto freqüentemente a religião é confundida com cultura e todos os seus componentes – como, por exemplo, seus ritos e dimensões simbólicas – tratados como folclore e suas compreensões não-científicas como mito. Daí que tudo que provém do universo religioso deve ser tratado como relativo e circunstancial.

A segunda razão pela qual a Igreja desaprova o homossexualismo está na herança recebida dos nossos pais, ou seja, a Tradição Sagrada. Tanto na pedagogia da Primeira Aliança (Velho Testamento), como na da Nova e Eterna Aliança (Novo Testamento) existe reprovação à prática homossexual. Segundo o ensino apostólico esta prática constitui um dos elementos que apodrece o tecido da atual sociedade e que ficará de fora do mundo vindouro (a nova ordem cósmica a ser estabelecida por Deus ou Nova Criação). Na antropologia apostólica, esta prática é fruto de uma degeneração do conhecimento de Deus (Romanos1:18-31), não sendo compatível ao novo homem que é criado segundo Deus (Efésios 4:24). Mas, na compreensão “gay”, toda esta pedagogia não pode ser evocada porque ela faz parte de uma mentalidade pré-científica (e aqui vem o reducionismo do Divino às limitações humanas do qual falamos antes). É certo que alguns “exegetas” pro-homossexualismo, procuram abordar estas tradições com falácias hermenêuticas, de maneira que todo texto que condena o homossexualismo, num passe de mágica, passa a não dizer o que a razão primeira compreende que eles estão dizendo. Estes, conforme nos diz São Pedro, distorcem as Escrituras para suas próprias perdições.

Nenhum dado “científico” aponta para uma dimensão gay do ser humano, quer seja na anatomia, na fisiologia e na genética humana: nada nos leva à direção. O resto são digressões científicas, estribadas em hipóteses. As tendências homossexuais estão encerradas no campo psicológico, numa configuração da alma que a ciência humana não conseguiu precisar clara e seguramente: nem no que se refere à sua gênesis e nem quanto às suas estruturas subjetivas.

Na perspectiva da Teologia, o homossexualismo está situado na dimensão passional da alma que sofre influências de elementos diabólicos [a tradição cristã chama de diabolos literalmente, aquele ou aquilo que divide (dia) o homem em si mesmo, que o dilacera; essa é, igualmente, a etimologia da palavra hebraica shatan, “o obstáculo”, o que se opõe à unidade do homem, à união com os outros, à união com Deus]. Trata-se sempre de discernir no homem o que cria obstáculo à realização de seu verdadeiro ser, o que impede o desabrochamento da vida do Espírito (Pneuma) em seu ser, seu pensamento e seu agir [Jean-Yves Leloup, Os verdadeiros Filósofos]. No caso do homossexualismo, o elemento diabólico o impede de desfrutar da interação com o seu outro-oposto, frustrando sua vocação para a plena identidade com Deus (imagem e semelhança).

amaglebaPortanto, a Igreja considera a prática homossexual como pecado (aquilo que nos faz desviar do alvo), o que lha impede de abençoar as uniões gays com o sacramento do Matrimônio. No entanto, devemos estar vigilantes para que a reprovação de tais práticas não gere um estigma contra as pessoas que se sentem, a partir de pulsões interiores, estimuladas a vivenciá-las. O pecado é uma deformidade da alma – que tem muitas nuanças e características diversas – e que se faz presente em toda a humanidade. Ninguém é mais pecador do que o outro por sentir impulsos homossexuais. A cada um de nós se impõe o dever de resistir ao pecado em sua multiforme manifestação (Gênesis 4:7). E nisto consiste a essência do Cristianismo: o Amor que socorre e transforma. Deus, em Cristo, vem em socorro do homem, não para despir de maldade as forças que subjugam nosso ser, contemporizando com as tais, mas para triunfar sobre elas e nos resgatar da tirania destes poderes. E para isto nos deixou, por meio do Seu Espírito, uma série de recursos eficazes que nos auxiliam neste combate (2 Coríntios 10:3-5). O amor de Deus convida a todos – sem descriminações – a participar desta Graça e a provar da Fonte Vivificante. Assim como uma semente só gera a vida se primeiro morrer, também o é conosco. Só quando assumimos voluntariamente a morte para o pecado poderemos experimentar a vida que vem de Deus. É isto que o Cristianismo chama de nascer do alto, ou, novo nascimento.

Contudo, é pertinente dizer, que o homossexualismo em si, não pode ser classificado como imoralidade. A promiscuidade, sim, e esta pode ser de natureza homo ou heterossexual. A questão da homossexualidade não é de natureza moral, assim como o pecado também não o é. A imoralidade é um dos frutos do pecado. A raiz da homossexualidade está na estrutura do ser, portanto é de natureza ontológica e é uma das conseqüências do pecado.

Em sua natureza terapêutica a Igreja se posta ao lado dos homens, não para lhes legitimar as paixões, mas, sim, para ajudá-los a superá-las. No caso do homossexual a ação catequética buscará ajudá-lo(a) a compreender que as compulsões que lhes direcionam a prática homossexual são de natureza coercitiva, sim, mas não determinante. Instrui-los-á sobre como em Deus se buscar o auxílio e as forças necessárias para o redirecionamento do desejo. Que Deus nos fez seres relacionais numa fragmentação bipolar para que encontrássemos a nossa unidade no outro (heteros– termo grego que designa um objeto de natureza diferente). “Assim, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher. E serão os dois uma só carne” (Gênesis 2:24). A superação das paixões é na maioria das vezes um processo lento e as virtudes da paciência e da perseverança são indispensáveis neste processo.

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Madre Maria

A Madre Maria (Skobtzoff), uma monja ortodoxa que vivia na França no período da 2ª Guerra e foi martirizada por proteger judeus da perseguição nazista, em seu estudo sobre o Segundo Mandamento do Evangelho (amar ao próximo como a si mesmo), esboça as grandes linhas de uma ascese de encontro e de amor. Diz a santa monja:

“É necessário evitar projetar o próprio psiquismo sobre os demais. É necessário compreender o outro em um extremo despojamento de si, até descobrir nele a imagem de Deus. Então se descobre de que modo essa imagem pode estar apagada, deformada pelos poderes do mal”. (A Oração do Coração, Olivier Clèment).

Vê-se o coração do homem como o lugar onde o bem e o mal, Deus e o diabo, travam uma luta incessante. E se deve intervir nesse combate, não pela força exterior, que não poderia chegar mais que a este “pesadelo do mal- bem”, do bem imposto, denunciado por Berdiaev, senão pela oração:

“Pode-se intervir, se se coloca toda confiança em Deus, se se despoja de todo o desejo interessado, se, tal como Davi, se joga fora suas armas e entra no combate sem outra arma que não seja o Nome do Senhor. Então o Nome, chegando a ser Presença, inspira-nos as palavras, o silêncio, os gestos indispensáveis” (Ibid).

O mundo contemporâneo sofre de grande confusão mental. São muitas vozes falando coisas diferentes. A tendência da mente, diante do que é confuso, é relativizar os elementos e classificá-los como a verdade de cada um. No Éden, a primeira estratégia do Diabo foi a confusão dos conceitos e apelar para os impulsos do desejo (Gênesis 3:1-6). A Igreja deve ser paciente com os que são cativos por esta confusão e canalizar todas as suas forças espirituais em favor da salvação de todos, com amor e verdade que são em Deus, realidades convergentes:

“A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram” [Salmo 84:10 (85:10)].

Por isto a Igreja rechaça com veemência as vozes “teologais” que se levantam em apologia à prática homossexual porque vê nelas a fala de Satã (o opositor), que busca impedir o encontro da humanidade com Aquele que é a Fonte de todo bem, da nossa unidade e plenitude. Rejeita-se àqueles que adulteram o ensino Divino (2 Coríntios 4:1,2), os quais usando de artifícios retóricos e dissimulações, procuram desviar os indoutos da verdade, prometendo-lhes libertação quando eles mesmos são escravos de suas paixões (2 Pedro 2:-19). Tendo aparência de piedade, mas negando-lhe a eficácia (2 Timóteo 3:5). Despossuídos de todo senso (2 Timóteo 3:13), falam de forma soberba procurando impressionar julgando-se possuidores de ciência (Judas 16). Muitos destes saíram do meio de nós e criaram para si grupos que indevidamente chamam de igrejas. Usam de adjetivações pejorativas (homofóbicos, preconceituosos, discriminatórios e etc) visando desqualificar os que ensinam a verdade.

Mas, o Supremo Juiz virá repentinamente e as obras de cada um serão reveladas.

Seja sobre nós a Graça do nosso Deus.

Pe. Mateus (Antonio Eça)

O Caminho das Índias e O Caminho do Coração

13 de setembro de 2009 § 1 comentário

Há muito a teledramaturgia brasileira não prestava um serviço tão significativo à alma de nossa sociedade que vem sendo degenerada por muitos agentes. A autora da novela “O Caminho das Índias”, Glória Perez, tendo como pano de fundo o hinduísmo (nome ocidental utilizado para classificar o conjunto das milhares de religiões e cultos que se estabeleceram na Índia), faz desenvolver uma trama onde estão presentes todos os elementos da alma humana: religiosidade, hipocrisia, amor, paixão, ódios, perfídia, avareza, preconceito, perversão e etc.

No entanto, nenhum desses elementos foi – como geralmente costuma ser – o catalisador de tamanha audiência. O que prendeu a atenção dos telespectadores foi, por assim dizer, a alma que norteava esta novela que brindou o fim da trama mostrando os personagens vencendo os seus vícios e limitações por seguirem o Caminho do Coração.

Apóstolo Tomé, Pai da Igreja da Índia

Apóstolo Tomé, Pai da Igreja da Índia

Segundo a Tradição Cristã, o caminho do coração não pode ser confundido com o dos sentimentalismos e das emoções (ambos restritos às dimensões externas da alma); conforme a antropologia bíblica, o coração é o centro do ser humano, princípio que determina as escolhas e os desejos de uma pessoa. Certamente que inclui também os sentimentos e as emoções, todavia, é muito mais que isto. Podemos dizer que é nele que está, conforme a expressão usada por São Paulo, o homem interior (Romanos 7:22 e ss). É considerado o órgão mediante o qual a graça penetra – não somente a alma – como também todos os membros do corpo.  É também considerado o centro do conflito. Segundo o ensino dos Evangelhos é do coração que procedem os pensamentos maus, os homicídios, adultérios, prostituições, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias (Mateus 15:19). E esta é a lição que Shankar (personagem de Lima Duarte) antes de se transformar em sanyase (monge) procura deixar para o seu filho Opash (Tony Ramos), que começa a desfrutar de uma vida feliz por decidir – em meio aos conflitos e as dores – ouvir a voz mais profunda do coração (a caverna da alma, segundo as tradições mais antigas da Índia). E é no coração onde pode ser encontrada, independente da cultura religiosa, a Lei Divina, segundo nos ensina Paulo, o Apóstolo de Cristo aos gentios (nações pagãs aos olhos dos judeus):

Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei, os quais mostram a obra da lei escrita no seu coração, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os, no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho” (Romanos 2:14-16).

Portanto, o coração será o grande promotor ou advogado dos homens perante o Juízo vindouro. Por isto o Rei Salomão (cerca de 1000 a.C) escreveu: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Provérbios 4:23).

A Igreja de Cristo tem como mais pura tradição uma espiritualidade monástica que pode ser desenvolvida tanto nas cavernas de um deserto como na gruta de um coração que habita as cidades. Esta espiritualidade tem como alvo o coração, palco de todas as batalhas e cenário das experiências mais sublimes do sagrado, do que é numinoso e noético. Aos que desconhecem esta realidade, é bom se apressar para tomar posse dos tesouros que possuem sem saber.

Coadjuvando o tema da espiritualidade está o da psicopatia, que Glória Perez busca fazer sabido a um público acostumado a ouvir o “Freud explica” (submetendo o comportamento humano a um determinismo psicológico), que a maldade não pode ser confundida com doença psicológica (no sentido científico). O psicopata não perde o senso da realidade e nem o da razão. Ele age por impulsos mais profundos do que a atual ciência humana possa classificar. Tema este encarnado pela própria experiência de vida da Autora que teve a filha (a atriz Daniela Perez) brutal e friamente assassinada pelo namorado e companheiro de profissão, o ator Guilherme de Pádua. Do ponto de vista Ortodoxo, toda esta derrocada que a sociedade vem padecendo tem como uma de suas fontes exatamente a dessacralização do mau, que caracteriza o cientificismo que ajudou a formar da sociedade ocidental a partir da idade moderna, o qual comumente reduz o sagrado à categoria do mito e da superstição ou como fenômeno sócio-cultural.

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Mar Tomás, Chefe da Igreja da Índia

E aqui está também uma chamada de atenção aos líderes espirituais do cristianismo ocidental que já há muitos séculos vêm se despindo da Tradição da Igreja em nome de uma nova compreensão, com base em filosofias secularizantes. Muitos cristãos que se maravilharam com os costumes e cosmovisão da Índia, não sabem que eles estão em sintonia com tradições antigas e viscerais da Igreja: a visão transcendente do mundo, o sagrado associado com o cotidiano e ocupando o posto de intérprete privilegiado da realidade, a visão patriarcal e sagrada da família (em contrapartida ao conceito fragmentário de família nuclear), o respeito e cuidado para com os mais velhos e etc. Isto tudo desapareceu da cultura ocidental européia e quase não foi conhecida de forma sadia pelo Novo Mundo (as Américas).

Muitos cristãos no Ocidente possuem uma visão reduzida da Igreja. Até mesmo a Novela omitiu que a fé cristã também está nos Caminhos da Índia, pois a Igreja se estabeleceu na Índia pela pregação do Apóstolo Tomé e se estabeleceu em meio a todas estas tradições, padeceu ao longo da história grandes tormentos, limitações, preservando o Evangelho da verdade e testemunhando daquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Hoje a Igreja da Índia tem cerca de 5.000.000 (cinco milhões) de fiéis. Infelizmente, com a chegada dos portugueses no século XVII e a tentativa de subjugar a Igreja da Índia ao Bispo de Roma gerou muitos desconfortos e cismas dentro da Igreja de São Tomé. Hoje, como fruto destes cismas, estão subdividos em cinco jurisdições, a saber: a Igreja Assíria do Oriente, a Igreja Ortodoxa Siriana, a Igreja Ortodoxa Siro-Malankar, a Igreja Católica Siro-Malabar e  a Igreja Católica Siro-Malankar. Depois, outros grupos cristãos se estabeleceram a partir do século XVII à parte da Igreja da Índia, tais como Católicos Romanos, Anglicanos e Evangélicos. E foi em Calcutá que uma freira, Madre Tereza, da Igreja de Roma deu grande testemunho de Cristo, reconhecida pelo mundo inteiro.

O Caminho das Índias tocou a alma de nossa gente porque foi para ela que uma escritora resolveu endereçar sua obra. Isto nos faz lembrar que a obra de um artista não pode ser apenas um produto de consumo do lazer, do entretenimento e da estética. Mostra que por baixo de todo entulho de perversão com que vem se revestindo a sociedade, existe uma dimensão do ser que almeja outra realidade.

Num Brasil de tantos caminhos (o dos cristãos, céticos e de tantas religiões minoritárias), assim como na Índia, o povo poderá encontrar a sua alma se volver os seus passos pelo Caminho do Coração.

Pe. Mateus (Antonio Eça)

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Bispos da Índia

Ventos de Anticristianismo no Brasil

10 de março de 2009 § Deixe um comentário

O Programa Domingo Espetacular da Rede Record do dia 08 de março deste ano, Dia Internacional da Mulher, veiculou uma produção jornalística da BBC de Londres, especialmente elaborada para denegrir a imagem da Igreja Católica Romana, associando seus posicionamentos éticos como nocivos à humanidade, principalmente quando a temática é o aborto e o uso de preservativos nas relações sexuais.

Com imagens maliciosamente editadas, a BBC apresenta entrevistas com médicos que praticam o aborto (apresentando-os como agentes humanitários, que salvam a população) e entrevistas com autoridades romanas, associando-as à imagem de uma ridícula obscuridade mental que é responsável pela miséria e atraso dos povos empobrecidos e que obrigam os doutores humanitários a agirem na clandestinidade, sem condições de trabalho, fazendo crer que a assombrosa estatística de óbito feminino por causa do aborto não existiria se este fosse praticado livremente.

O que a BBC não aborda são os lucros financeiros destes médicos humanitários e do mercado de preservativo, todos eles alimentados fartamente pela indústria da prostituição e pedofilia.

Embora a Igreja ortodoxa tenha severas críticas teológicas à Igreja de Roma por não preservar integralmente a tradição apostólica, reconhece-a como formando conosco uma só igreja. Também temos uma cartilha social muito semelhante e, na Europa combatemos ombro a ombro os males sociais, entre eles o ateísmo, o consumismo e a atual ética de mercado, o consumo de drogas, o alcoolismo, a prostituição e o aborto[1].

Há muito que a Europa ocidental está mergulhada numa mentalidade agnóstica, a qual nesta última década tem avançado do discurso antireligioso para algumas atitudes governamentais contra a religião. Chama a atenção o fato deste discursso ser reproduzido no Brasil através da iniciativa de uma rede de televisão de propriedade de um grupo (civilmente de natureza religiosa) e autodenominado Igreja Universal do Reino de Deus.

Trago à memória uma das figuras mais elucidativas do Apocalipse de São João, o Teólogo, que ao predizer o tempo de anticristianismo vê duas figuras desoladoras: uma besta que emerge do mar e outra que emerge da terra.

A que emerge do mar “abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu. E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação” (Ap. 13:6,7).

Mas, o que mais espanta é a besta que emerge da terra a qual “tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão. E exerce todo o poder da primeira besta na sua presença, e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta… E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. E engana os que habitam na terra…” (Ap. 13:11-14).

Nas Santas Escrituras a imagem do Cordeiro é associada a Cristo e a do Dragão a Satanás, que também é simbolizado pela imagem de uma serpente. Estas duas imagens atribuídas ao Demônio são decodificadoras de sua personalidade: violência e sagacidade. No capítulo anterior (12) São João recapitula o infanticídio praticado por Herodes por ocasião do nascimento de Cristo. O vidente de Patmos atribui a inspiração desse ato ao dragão. Na igreja Ortodoxa tal ocasião é relembrada com um dia específico denominado Comemoração dos Santos Inocentes, primeiros mártires da era cristã. Esta Besta, como já dissemos, chama a atenção porque se parece com Cristo, mas tem um discurso demoníaco. Cristo nos alertou veementemente sobre falsos profetas e nos ensinou que a boca fala do que o coração está cheio. O próprio Cristo classifica o diabo como sendo “homicida desde o princípio” e “pai da mentira”, ou seja, fonte de toda violência e de tudo que é pseudo e ilusório (João 8:44).

Preparemo-nos, como as virgens que esperam o noivo, com as suas lâmpadas acesas pelo azeite da fé, da paz e da justiça (na qual se inclui o amor), sabendo que todas estas coisas devem acontecer, e que é na perseverança e paciência que possuímos as nossas almas (Mt. 24:13).

 

 

 

[1] Estamos trabalhando na tradução para o português da Cartilha Social editada pelo Patriarcado de Moscou. Assim, o leitor poderá se conhecer o pensamento e a teologia da Igreja ortodoxa quanto aos temas sociais hodiernos. Em inglês temos a publicação do livro do Patriarca Ecumênico Bartolomeu I Encountering the Mystery (Encontrando o Mistério), onde Sua Santidade aborda os principais temas da sociedade à luz da Fé “Antiga”. Para adquirir este livro clique aqui.

 


A Igreja Ortodoxa e o Aborto

8 de março de 2009 § 2 Comentários

aborto_icone

A excomunhão realizada pelo Arcebispo de Olinda e Recife Dom José Cardoso Sobrinho dos envolvidos no aborto dos fetos gêmeos da menina que engravidara do padastro com apenas 9 anos de idade, vem gerando muita polêmica entre setores da sociedade civil e a doutrina da Igreja Romano Católica.

Muitos têm perguntado sobre o posicionamento da Igreja Ortodoxa sobre o aborto.

Hoje é o Domingo da Ortodoxia (data em que se comemora o triúnfo sobre os iconoclastas), portanto, deixemos que um dos nossos mestres mais antigos, ou seja, os santos ícones respondam à esta questão:

Comecemos por sua parte esquerda, cujas cores de fundo são mais claras (em contraste bastante evidente com a parte direita, com cores escuras representando as trevas, o mal e a morte).

Jesus Cristo, vencedor da morte, surge protegendo e abençoando, abaixo dele, uma família cristã (é de se notar os trajes modernos que vestem). Família, aliás, numerosa (pai, mãe e seis filhos). O pai carrega um dos filhos (como São José, que carrega o Menino Deus, tradicional imagem da iconografia cristã) e traz o alimento da família na mão esquerda. A mãe embala o filho ainda bebê e alimenta uma outra criança. São figuras tradicionais do pai e da mãe cristãos, essencial para o desenvolvimento dos filhos.

Acima da família cristã, surge a Sagrada Família de Nazaré. Maria carrega, em seu colo, o Senhor Deus, nascido de seu puríssimo ventre. São José, por sua vez, carrega uma criança envolta em panos brancos, símbolo, na iconografia tradicional, da alma das crianças inocentes assassinadas.

Abaixo da família cristã, numa imagem bastante contundente, temos a “Arrependida”, isto é, a mãe que, tendo cometido o monstruoso crime do aborto, chora, agora, o filho que ela própria matou. Veste-se de vermelho, o que representa o sangue inocente por ela derramado.

Na parte esquerda inferior, há a figura da mãe solteira. De um lado, ela pecou e consentiu em relações pré-nupciais (talvez, seja por isto que parte de sua vestimenta é vermelha, cor da luxúria), mas, por outro lado, manteve-se firme frente à tentação de abortar e, agora, carrega (não sem o auxílio de Deus) a Cruz de ser mãe sem a ajuda e o suporte de um esposo. Cruz esta que, se bem vivida, será sua porta de entrada para o céu depois que findar sua peregrinação terrestre.

Passemos, agora, às trevas!

Na parte direita do ícone, vemos sentada, num trono vermelho, uma rainha, chamada de “Novo Herodes”. É o próprio aborto personificado, que, como o Herodes o fez outrora, promove a matança dos inocentes no mundo moderno. Ela espezinha e massacra vários bebês e recebe ainda outros (todos em posição fetal) que as mulheres lhe oferecem. Estas mulheres estão à sua frente e personificam (de baixo para cima) a crueldade, a futilidade, a indiferença e a luxúria, sem as quais a monstruosidade do aborto não ocorreria.

Ao fundo, vemos um “médico”. No original, a palavra é também grafada entre aspas, pois, sob a aparência de um médico (que deveria usar seus talentos apenas para salvar vidas), encontra-se um assassino frio, que passa uma espada no ventre de um bebê indefeso. Se o leitor reparar bem, seu bolso está cheio de dinheiro, pois se enriquece com a matança que ele próprio promove. Ao fundo, a imagem de um dragão, a Antiga Serpente, o chamado Diabo ou Satanás, que, sedutor do mundo inteiro, seduz o “médico”, colocando-o ao seu serviço.

Pois, todos os que se colocam a serviço, direto ou indireto, do aborto, estão a serviço direto de Satanás.

Que deles (e de todos nós) o Senhor Deus tenha piedade.

 

Fonte: O texto analítico do ícone foi extraído do sitio “Veritatis Splendor”.

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