Igreja Sérvia recebe cerca de 3,5 milhões de Euros como subvenção anual

25 de setembro de 2009 § Deixe um comentário

Sérvia — O governo deve conceder a Igreja Ortodoxa da Sérvia cerca de 3,5 milhões euro como subsídio anual fornecido pelo Ministério dos Assuntos Religiosos.

Segundo o jornal "Danis, o Ministério dos Assuntos Religiosos, este ano irá fornecer um total de 5,5 milhões de euros de subvenção às comunidades religiosas, ONGs e plano de investimento nacional.

O montante previsto para as comunidades religiosas são distribuídos entre as entidades de forma proporcional à representação populacional de cada uma, tendo por base o censo de 2002.

A Igreja Ortodoxa Sérvia terá 84,98%, a Igreja Católica Romana, 5,48%, a comunidade islâmica 3,19%, 1,078% são protestantes e da comunidade judaica 0,0071%.

A Igreja Ortodoxa Sérvia utiliza esta verba para seus gastos anuais com a manutenção de 2863 sacerdotes e mosteiros.

Fonte: Romfaia

Paris Hospeda Conferência Plenária do CCE

23 de setembro de 2009 § Deixe um comentário

Paris, 23 set (RV) – Realiza-se em Paris, de 1° a 4 de outubro próximo, a assembleia plenária do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE).

O encontro promovido pelo cardeal-arcebispo de Paris, André Vingt-Trois, presidente da Conferência Episcopal da França, será centralizado sobre o tema “Igreja e Estado, vinte anos após a queda do muro de Berlim”.

Serão ilustrados os resultados de uma pesquisa européia sobre vários modelos e soluções jurídicas adotadas pelos Estados membros a fim de enquadrar juridicamente a Igreja Católica no próprio país e regularizar as relações.

Além disso, a assembleia ilustrará o serviço prestado pelo CCEE em prol da Igreja na Europa, com apresentações das atividades realizadas pelas comissões e refletirá sobre a instauração de colaborações com outros organismos como o Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagáscar (SECAM) e o Conselho Episcopal Latino Americano (CELAM).

Será também apresentado o programa do II Fórum Católico-ortodoxo que se realizará em Rodi, na Grécia, de 23 a 27 de novembro próximo, sobre o tema “A relação entre Igreja e Estado”.

Participarão do encontro em Paris, o prefeito da Congregação para os Bispos, Cardeal Giovanni Battista Re, o secretário das Relações com os Estados, Dom Dominique Mamberti, o Núncio Apostólico na UE, Dom André Dupuy, e observador permanente da Santa Sé no Conselho da Europa, Mons. Aldo Giordano. (MJ)

Fonte: Rádio Vaticano

«Almae Luces»: exposição itinerante de ícones ortodoxos Romenos

23 de setembro de 2009 § Deixe um comentário

LISBOA, Portugal, 21 de setembro de 2009 [http://www.agendalx.pt] No âmbito de vários projetos dedicados à celebração do Ano Europeu da Criatividade e da Inovação, o Instituto Cultural Romeno de Lisboa, em parceria com o Patriarcado de Lisboa, o Museu Nacional de Arqueologia e com a Paróquia Ortodoxa Romena em Lisboa, organiza uma ampla exposição itinerante de ícones ortodoxos romenos. A exposição, intitulada «Almae Luces», será acompanhada por ateliês de criação realizados pelos artistas plásticos Răzvan Prunean e Catherine Both, e tem lugar nos seguintes espaços: Sé Catedral: 21 de Setembro a 18 de Outubro; Museu Nacional de Arqueologia: 20 de Outubro a 22 de Novembro; Instituto Cultural Romeno de Lisboa: 25 de Novembro a 8 de Janeiro. Durante estes encontros, o público será convidado a descobrir os segredos da realização dos ícones pintados sobre madeira.

O estilo bizantino de pintura do ícone, muito importante para a fé ortodoxa, destaca-se pela simplicidade e fluidez das linhas, pela diversidade cromática e pela representação estilizada das formas. Para os cristãos ortodoxos, a complexidade e a profundidade da simbologia, bem como a luz que emana dos ícones, «envolve a alma e aproxima-a da divindade». Os ícones expostos foram pintados sobre madeira nova e velha, seguindo os cânones ortodoxos. As obras foram ornamentadas com folha de ouro e pintadas a acrílico.

Fonte: Ecclesia

Matrimônio Gay?

20 de setembro de 2009 § 1 comentário

O noticiário sobre uniões homossexuais abençoadas por clérigos, em breve deixará o campo do exótico para assumir lugar comum nos meio de comunicação em nosso país. E isto é algo que os fiéis em Cristo devem encarar com certo grau de naturalidade, bem como sinal de alerta e motivo de caótico júbilo.

Com “naturalidade”, porque o próprio Cristo e depois os apóstolos nos alertaram para estes tempos: falsificações (falsos cristos e falsos profetas), escândalos, mentalidade pervertida (aumento da iniqüidade) e etc (Mateus 24).

Como sinal, porque nos alerta para a necessidade de aumentarmos os nossos esforços pessoais para viver uma vida de santidade (quem for santo, santifique-se mais ainda – Apocalipse 22:11).

Com caótico júbilo, porque estas coisas nos convidam a olhar para os céus e ver que a nossa redenção se aproxima (Lucas 21:28). Cristo nos convida a encarar estes tempos obscuros como uma mulher que sente dores de parto; pois a dor da agonia é suplantada pela felicidade de uma criança vir ao mundo (João 16:21). Assim, a realidade caótica deve servir como preâmbulo do novo dia que se aproxima, porque quanto mais próxima a aurora, mais fria é a madrugada.

Os cristãos latentes ou simpatizantes com o cristianismo, algumas vezes questionam o porquê da condenação da Igreja ao homossexualismo e o repúdio a grupos e entidades que utilizem os sacramentos e símbolos cristãos para legitimar tal prática.

Todo o sacramento (este termo é a tradução latina do grego “misterion”) é em essência um ícone de Cristo, ou seja, possui duas naturezas: a humana e a divina. A sua dimensão visível está na forma (símbolo) que encerra uma realidade invisível, incapaz de ser delineada por qualquer forma ou palavras; realidades que transcendem toda e qualquer racionalização ou paradigma da natural razão.

Bodas em Caná

O matrimônio, por exemplo, não pode ser reduzido ou encerrado aos limites da sexualidade erótica, reprodutiva ou da satisfação psicológica. Estas dimensões se fazem presentes no mistério (sacramento) do matrimônio, mas não o encerra nela. Segundo o ensino apostólico (Efésios 5:31,32) o matrimônio aponta para a união entre Cristo e a Igreja, para a realização do projeto Divino de deificar a humanidade (João 17). A união homossexual não alcança esta dimensão, uma vez que lhe faltam os elementos indispensáveis para compor a imagem de Deus no homem (o macho e a fêmea – que formam uma pluri-unidade); ou seja, à união homossexual, ou lhe falta o elemento masculino ou o feminino, a bipolaridade necessária, reflexo (imagem, ícone) de Deus (Gênesis 1:26). Sendo, em sua realidade última, a prefiguração da união entre Cristo e a Nova Humanidade (Igreja), o matrimônio é um caminho espiritual que nos leva à união com Deus e não encontra sua plenitude na mera satisfação dos sentidos. Este é o vinho que se acaba e que foi primeiro servido por ser julgado o melhor. No entanto, é o segundo vinho, aquele que foi transformado, que surpreende a todos e confere perenidade à festa, conforme é narrado o milagre em Caná da Galiléia, o primeiro sinal messiânico de Cristo entre os homens (João 2:1-11). Não é por acaso que a Igreja Ortodoxa lê obrigatoriamente este texto no Rito do Noivado e Matrimônio. É, portanto, muito significativo que Cristo tenha iniciado seus sinais messiânicos exatamente em uma festa de casamento, ícone verdadeiro da salvação Divina.

filosofia gay despreza esta dimensão sacramental porque ela é fruto da mentalidade secular e materialista que se estabeleceu na sociedade ocidental, que tem como uma de suas principais características o reducionismo do sagrado. Nesta mentalidade a religião deve se limitar ao campo do privado e os conceitos que dela emergem, subordinados aos das ciências humanas. Por isto freqüentemente a religião é confundida com cultura e todos os seus componentes – como, por exemplo, seus ritos e dimensões simbólicas – tratados como folclore e suas compreensões não-científicas como mito. Daí que tudo que provém do universo religioso deve ser tratado como relativo e circunstancial.

A segunda razão pela qual a Igreja desaprova o homossexualismo está na herança recebida dos nossos pais, ou seja, a Tradição Sagrada. Tanto na pedagogia da Primeira Aliança (Velho Testamento), como na da Nova e Eterna Aliança (Novo Testamento) existe reprovação à prática homossexual. Segundo o ensino apostólico esta prática constitui um dos elementos que apodrece o tecido da atual sociedade e que ficará de fora do mundo vindouro (a nova ordem cósmica a ser estabelecida por Deus ou Nova Criação). Na antropologia apostólica, esta prática é fruto de uma degeneração do conhecimento de Deus (Romanos1:18-31), não sendo compatível ao novo homem que é criado segundo Deus (Efésios 4:24). Mas, na compreensão “gay”, toda esta pedagogia não pode ser evocada porque ela faz parte de uma mentalidade pré-científica (e aqui vem o reducionismo do Divino às limitações humanas do qual falamos antes). É certo que alguns “exegetas” pro-homossexualismo, procuram abordar estas tradições com falácias hermenêuticas, de maneira que todo texto que condena o homossexualismo, num passe de mágica, passa a não dizer o que a razão primeira compreende que eles estão dizendo. Estes, conforme nos diz São Pedro, distorcem as Escrituras para suas próprias perdições.

Nenhum dado “científico” aponta para uma dimensão gay do ser humano, quer seja na anatomia, na fisiologia e na genética humana: nada nos leva à direção. O resto são digressões científicas, estribadas em hipóteses. As tendências homossexuais estão encerradas no campo psicológico, numa configuração da alma que a ciência humana não conseguiu precisar clara e seguramente: nem no que se refere à sua gênesis e nem quanto às suas estruturas subjetivas.

Na perspectiva da Teologia, o homossexualismo está situado na dimensão passional da alma que sofre influências de elementos diabólicos [a tradição cristã chama de diabolos literalmente, aquele ou aquilo que divide (dia) o homem em si mesmo, que o dilacera; essa é, igualmente, a etimologia da palavra hebraica shatan, “o obstáculo”, o que se opõe à unidade do homem, à união com os outros, à união com Deus]. Trata-se sempre de discernir no homem o que cria obstáculo à realização de seu verdadeiro ser, o que impede o desabrochamento da vida do Espírito (Pneuma) em seu ser, seu pensamento e seu agir [Jean-Yves Leloup, Os verdadeiros Filósofos]. No caso do homossexualismo, o elemento diabólico o impede de desfrutar da interação com o seu outro-oposto, frustrando sua vocação para a plena identidade com Deus (imagem e semelhança).

amaglebaPortanto, a Igreja considera a prática homossexual como pecado (aquilo que nos faz desviar do alvo), o que lha impede de abençoar as uniões gays com o sacramento do Matrimônio. No entanto, devemos estar vigilantes para que a reprovação de tais práticas não gere um estigma contra as pessoas que se sentem, a partir de pulsões interiores, estimuladas a vivenciá-las. O pecado é uma deformidade da alma – que tem muitas nuanças e características diversas – e que se faz presente em toda a humanidade. Ninguém é mais pecador do que o outro por sentir impulsos homossexuais. A cada um de nós se impõe o dever de resistir ao pecado em sua multiforme manifestação (Gênesis 4:7). E nisto consiste a essência do Cristianismo: o Amor que socorre e transforma. Deus, em Cristo, vem em socorro do homem, não para despir de maldade as forças que subjugam nosso ser, contemporizando com as tais, mas para triunfar sobre elas e nos resgatar da tirania destes poderes. E para isto nos deixou, por meio do Seu Espírito, uma série de recursos eficazes que nos auxiliam neste combate (2 Coríntios 10:3-5). O amor de Deus convida a todos – sem descriminações – a participar desta Graça e a provar da Fonte Vivificante. Assim como uma semente só gera a vida se primeiro morrer, também o é conosco. Só quando assumimos voluntariamente a morte para o pecado poderemos experimentar a vida que vem de Deus. É isto que o Cristianismo chama de nascer do alto, ou, novo nascimento.

Contudo, é pertinente dizer, que o homossexualismo em si, não pode ser classificado como imoralidade. A promiscuidade, sim, e esta pode ser de natureza homo ou heterossexual. A questão da homossexualidade não é de natureza moral, assim como o pecado também não o é. A imoralidade é um dos frutos do pecado. A raiz da homossexualidade está na estrutura do ser, portanto é de natureza ontológica e é uma das conseqüências do pecado.

Em sua natureza terapêutica a Igreja se posta ao lado dos homens, não para lhes legitimar as paixões, mas, sim, para ajudá-los a superá-las. No caso do homossexual a ação catequética buscará ajudá-lo(a) a compreender que as compulsões que lhes direcionam a prática homossexual são de natureza coercitiva, sim, mas não determinante. Instrui-los-á sobre como em Deus se buscar o auxílio e as forças necessárias para o redirecionamento do desejo. Que Deus nos fez seres relacionais numa fragmentação bipolar para que encontrássemos a nossa unidade no outro (heteros– termo grego que designa um objeto de natureza diferente). “Assim, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher. E serão os dois uma só carne” (Gênesis 2:24). A superação das paixões é na maioria das vezes um processo lento e as virtudes da paciência e da perseverança são indispensáveis neste processo.

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Madre Maria

A Madre Maria (Skobtzoff), uma monja ortodoxa que vivia na França no período da 2ª Guerra e foi martirizada por proteger judeus da perseguição nazista, em seu estudo sobre o Segundo Mandamento do Evangelho (amar ao próximo como a si mesmo), esboça as grandes linhas de uma ascese de encontro e de amor. Diz a santa monja:

“É necessário evitar projetar o próprio psiquismo sobre os demais. É necessário compreender o outro em um extremo despojamento de si, até descobrir nele a imagem de Deus. Então se descobre de que modo essa imagem pode estar apagada, deformada pelos poderes do mal”. (A Oração do Coração, Olivier Clèment).

Vê-se o coração do homem como o lugar onde o bem e o mal, Deus e o diabo, travam uma luta incessante. E se deve intervir nesse combate, não pela força exterior, que não poderia chegar mais que a este “pesadelo do mal- bem”, do bem imposto, denunciado por Berdiaev, senão pela oração:

“Pode-se intervir, se se coloca toda confiança em Deus, se se despoja de todo o desejo interessado, se, tal como Davi, se joga fora suas armas e entra no combate sem outra arma que não seja o Nome do Senhor. Então o Nome, chegando a ser Presença, inspira-nos as palavras, o silêncio, os gestos indispensáveis” (Ibid).

O mundo contemporâneo sofre de grande confusão mental. São muitas vozes falando coisas diferentes. A tendência da mente, diante do que é confuso, é relativizar os elementos e classificá-los como a verdade de cada um. No Éden, a primeira estratégia do Diabo foi a confusão dos conceitos e apelar para os impulsos do desejo (Gênesis 3:1-6). A Igreja deve ser paciente com os que são cativos por esta confusão e canalizar todas as suas forças espirituais em favor da salvação de todos, com amor e verdade que são em Deus, realidades convergentes:

“A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram” [Salmo 84:10 (85:10)].

Por isto a Igreja rechaça com veemência as vozes “teologais” que se levantam em apologia à prática homossexual porque vê nelas a fala de Satã (o opositor), que busca impedir o encontro da humanidade com Aquele que é a Fonte de todo bem, da nossa unidade e plenitude. Rejeita-se àqueles que adulteram o ensino Divino (2 Coríntios 4:1,2), os quais usando de artifícios retóricos e dissimulações, procuram desviar os indoutos da verdade, prometendo-lhes libertação quando eles mesmos são escravos de suas paixões (2 Pedro 2:-19). Tendo aparência de piedade, mas negando-lhe a eficácia (2 Timóteo 3:5). Despossuídos de todo senso (2 Timóteo 3:13), falam de forma soberba procurando impressionar julgando-se possuidores de ciência (Judas 16). Muitos destes saíram do meio de nós e criaram para si grupos que indevidamente chamam de igrejas. Usam de adjetivações pejorativas (homofóbicos, preconceituosos, discriminatórios e etc) visando desqualificar os que ensinam a verdade.

Mas, o Supremo Juiz virá repentinamente e as obras de cada um serão reveladas.

Seja sobre nós a Graça do nosso Deus.

Pe. Mateus (Antonio Eça)

Todo cristão deveria ser místico, assegura Papa

18 de setembro de 2009 § Deixe um comentário

Propõe como modelo um escritor muito admirado pela Igreja Ortodoxa

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 16 de setembro de 2009 (ZENIT.org).- O conhecimento e a experiência mística de Deus não são privilégios reservados a pessoas excepcionais, mas a todo batizado, segundo afirmou hoje o Papa Bento XVI durante a audiência geral, realizada na Sala Paulo VI.

O Papa, continuando com suas catequeses sobre grandes escritores cristãos do primeiro milênio, falou sobre Simeão o Novo Teólogo (949-1022), um escritor pouco conhecido no Ocidente, mas muito querido pela Igreja Ortodoxa.

Esta foi a quarta vez que o Papa se referiu a um santo muito estimado pelas Igrejas Orientais, após suas catequeses sobre São João Damasceno, os santos Cirilo e Metódio e Germano de Constantinopla.

Um dos que nos últimos anos escreveu sobre ele é o bispo Hilarion de Volokolamsk, presidente do Departamento para as Relações Eclesiásticas Externas do Patriarcado de Moscou.

De fato, o título de “Teólogo” lhe foi conferido pela igreja oriental, que só reconhece este título a outros dois santos: São João Evangelista e São Gregório Nazianzeno, como recordou o Papa durante a catequese de hoje.

Este santo, explicou o Papa, “concentra sua reflexão na presença do Espírito Santo nos batizados e na consciência que devem ter dessa realidade espiritual”.

Simeão “insiste no fato de que o verdadeiro conhecimento de Deus não vem dos livros, mas da experiência espiritual”, através de um caminho de purificação interior, “que começa com a conversão do coração, graças à força da fé e do amor”.

Para o santo, “semelhante experiência da graça divina não constitui um dom excepcional para alguns místicos, mas é fruto do Batismo na existência de todo fiel seriamente comprometido”, sublinhou o Papa.

Bento XVI convidou todos os batizados a refletirem sobre o convite que este santo oriental faz “à atenção à vida espiritual, à presença escondida de Deus em nós, à sinceridade da consciência e à purificação, à conversão do coração”.

“Se, de fato, nós nos preocupamos justamente por cuidar do nosso crescimento físico, é ainda mais importante não descuidar do crescimento interior, que consiste no conhecimento de Deus”, acrescentou.

O Papa relatou uma das experiências místicas de Simeão, que acabou por assegurar-se de que Jesus estava nele ao advertir um amor imenso pelos demais, inclusive por seus inimigos.

“Evidentemente, semelhante amor não poderia vir dele mesmo, mas deveria brotar de outra fonte. Simeão entendeu que procedia de Cristo presente nele e tudo se esclareceu: teve a prova segura de que a fonte do amor nele era a presença de Cristo.”

“Queridos amigos: esta experiência é muito importante para nós, hoje, para encontrar os critérios que nos indicam se estamos realmente perto de Deus, se Deus existe e vive em nós”, explicou o Papa aos presentes.

“Somente o amor divino nos faz abrir o coração aos demais e nos torna sensíveis às suas necessidades, fazendo-nos considerar todos como irmãos e irmãs e convidando-nos a responder com amor ao ódio e com perdão à ofensa.”

Joseph Frank, Biógrafo de Dostoiévski, Fala da Aceitação de Sua Obra no Brasil e Comenta Sobre a Fé Ortodoxa do Famoso Romancista Russo.

17 de setembro de 2009 § Deixe um comentário

 

Especialista na obra do escritor, Joseph Frank, professor de Princeton e Stanford, fala à professora Aurora Bernardini, da USP, sobre a proximidade entre o Brasil e o universo do autor de "Crime e Castigo", Joseph Frank, professor de literatura comparada na Universidade de Princeton e de línguas e literaturas eslavas e literatura comparada na Universidade Stanford, é considerado hoje um dos maiores conhecedores de Fiódor Dostoiévski, ao estudo de cuja obra dedicou grande parte de sua vida (o professor nasceu em 1918). Ele é autor de muitos livros, entre os quais se destacam: "Dostoiévski – As Sementes da Revolta (1821-1849)"; "Dostoiévski – Os Anos de Provação (1850-1859)"; "Dostoiévski – Os Efeitos da Libertação (1860-1865)"; "Dostoiévski – Os Anos Milagrosos (1865-1871)"; "Pelo Prisma Russo – Ensaios sobre Literatura e Cultura", todos publicados pela Edusp, que lança neste mês o último volume da série sobre o escritor russo: "Dostoiévski – O Manto do Profeta (1871-1881)". Joseph Frank teve a complacência de responder prontamente às perguntas desta entrevista, algumas delas intencionalmente "intrigantes" – como diz o emérito professor –, uma vez que suas respostas, em certos aspectos, discutem convicções de Mikhail Bakhtin (segundo o qual, por exemplo, as idéias e as consciências dos personagens de Dostoiévski são autônomas, não podendo ser levadas a um denominador ideológico comum), de filósofos como Luigi Pareyson, que está convencido de que em Dostoiévski a experiência fundamental e decisiva é a experiência do mal, de especialistas como Evel Gasperini (Universidade de Pádua), de acordo com o qual, em sua maturidade, Dostoiévski nunca teria acreditado na natureza transcendente de Cristo, dando roupagens cristãs a particulares correntes mais antigas dos povos eslavos, ou ainda de Pierre Pascal (Universidade de Paris), que pergunta: "O paraíso na terra, que Dostoiévski não define, é cristão?" Leia abaixo a entrevista:

 

Como o sr. sabe, seus livros sobre Dostoiévski tiveram uma recepção muito favorável no Brasil, apesar de a leitura não ser um dos entretenimentos preferidos no país.

"As Sementes da Revolta", o primeiro da série, teve sua edição esgotada logo depois da publicação. Agora que a Edusp está publicando o quinto e último volume, poderia nos dizer qual é, na sua opinião, o motivo desse sucesso? Uma resposta possível sobre o sucesso de meus livros no Brasil talvez seja a fascinação mundial por Dostoiévski, cujos romances parecem ganhar importância com o passar do tempo. Muitas vezes me surpreende a extensão em que encontramos referências a seu nome e suas obras até em jornais. Os problemas que ele dramatiza, especialmente o choque entre razão e fé e os dilemas morais que surgem do desejo de transformar a sociedade como um todo, emergem de seu próprio entorno, a Rússia de meados do século 19. Mas ele tinha certeza do que eram os problemas do mundo moderno em geral, e a contínua popularidade de seus livros parece provar que tinha razão. Outro motivo pelo qual os leitores brasileiros poderiam se interessar especialmente por suas obras é porque se concentram no choque entre a cultura européia ocidental e o que Dostoiévski considerava valores originais russos, decorrentes da tradição nativa. Pelo pouco que sei sobre a cultura brasileira (infelizmente, pouco demais), me ocorre que talvez sua própria mistura de culturas dê aos romances de Dostoiévski uma ressonância especial em seu país. Quanto ao sucesso dos meus livros, talvez seja conseqüência de meus esforços para situar suas obras no contexto ideológico russo a que ele reagia. Eles contêm uma boa medida da história cultural russa, que, além de seus romances, tem um grande interesse por si só.

Seria um dos motivos o interesse de Dostoiévski pelo lado mais escuro da alma humana?

Não tenho certeza se concordo que Dostoiévski tem um interesse especial por retratar "o lado mais escuro da alma humana". Seus personagens podem cometer crimes, mas nenhum deles é um completo vilão cujos atos não demonstrem nenhum sentimento moral ou que aprecie o mal pelo próprio mal. Pelo contrário, são invariavelmente consumidos pela culpa e pelo remorso por causa de seus erros, mesmo que tentem justificar-se com argumentos tirados das idéias de sua época.

O sr. interpreta os "romances polifônicos" de Dostoiévski como o fim do "paternalismo" na literatura -do lado do narrador-, como afirma Bakhtin (1895-1975)?

Eu admiro os textos de Bakhtin, mas acho que ele exagera a originalidade formal de Dostoiévski na história do romance. Por "paternalismo", suponho que esteja me perguntando se as teorias de Bakhtin marcam o fim do autor onisciente, que ele identifica com Tolstói. Mas há romancistas anteriores que também entram na consciência de seus personagens, como Jane Austen, por exemplo, e Dostoiévski é muito menos original nesse sentido do que Bakhtin o pinta. E também a idéia do "romance polifônico", de Bakhtin, que parece implicar a ausência de um autor controlador, é paradoxal.
Se as diferentes consciências dos diversos personagens pudessem ser resumidas em um denominador comum, qual seria? Eu diria que um denominador comum dos personagens dos maiores romances de Dostoiévski é a luta entre uma ideologia que tenta substituir a existente, baseada na civilização judaico-cristã, e uma consciência moral moldada nos valores dessa tradição.

No prefácio ao segundo livro da série, "Os Anos de Provação (1850 a 1859)", que recebeu o National Book Critics Award de biografia em 1984, o sr. diz que o método que escolheu foi o de "fundir biografia, crítica literária e história cultural social". Acha que, com essa abordagem, o que o sr. tão bem descreveu como ideologia de Dostoiévski pode às vezes ser confundido com a interpretação que fez de alguns personagens?

Só posso esperar que esse tipo de confusão mencionado não seja o caso. Uma boa parte do gênio de Dostoiévski, na minha opinião, é sua capacidade de mostrar a fusão entre ideologia e personagem, a maneira como as idéias que um personagem aceita influenciam o nível mais profundo de seus sentimentos e seu comportamento. Por isso retratei o efeito dessas idéias nos atos dos personagens, mas também tentei esboçar a ideologia da época, independentemente da maneira como Dostoiévski a usou em seus romances.

A diferença que Dostoiévski fazia entre o "socialismo utópico", que admirava, e o "niilismo russo", que desprezava, aparece em "Crime e Castigo"?

Sim, creio que a diferença entre socialismo utópico e niilismo russo aparece em "Crime e Castigo". O personagem Lebeziátnikov, como digo em meu livro, "profere os clichês socialistas utópicos do início dos anos 1860", e Raskólnikov representa as últimas conseqüências do niilismo russo como Dostoiévski as concebia.

Por que, na sua opinião, Dostoiévski se dedicava muito mais a pintar o mal do que o bem?

O objeto principal de Dostoiévski, no início dos anos 1860, era combater o que considerava os efeitos desintegradores das doutrinas do niilismo russo. Para tanto precisava mostrar todas as suas conseqüências malignas. Em certo sentido, do seu ponto de vista, ele mostrava o bem, pois continuava mostrando a luta interna dos personagens contra suas próprias idéias. Também se deve ter em mente que, na única declaração de próprio punho que temos sobre suas convicções religiosas, redigida enquanto ele velava o corpo de sua primeira mulher, escreveu que "amar ao homem como a si mesmo, segundo o mandamento de Cristo, é impossível. A lei da personalidade na terra não o permite. O ego atrapalha". Era a luta contra esse ego que constituía "o bem" para Dostoiévski.

Qual era o tipo de cristianismo de Dostoiévski? Qual é o significado do sofrimento na existência humana, segundo ele?

Não tenho certeza de o que significa perguntar "qual era o tipo de cristianismo de Dostoiévski?". Ele se considerava um membro fiel da Igreja Ortodoxa Russa, cujos dogmas, deve-se lembrar, são muito mais fluidos que os da Igreja Católica Apostólica Romana.Quanto ao significado do sofrimento na existência humana, é importante lembrar que Dostoiévski falava em "sofrimento moral", decorrente do fracasso em cumprir a lei de Cristo. Não se referia ao "sofrimento" causado pela privação material. No documento citado, ele escreveu que "o homem luta na terra por um ideal oposto à sua natureza", e esse ideal exige que sacrifique seu ego às pessoas ou a outra pessoa. Quando deixa de fazê-lo, "sofre e chama isso de pecado". Mas ele acreditava que esse sofrimento era "compensado pela alegria celestial de cumprir a lei, isto é, pelo sacrifício".

No quinto volume da série, "O Manto do Profeta", o sr. descreve o "Diário" de Dostoiévski, entre outros livros. Em setembro de 1837, Dostoiévski publicou em seu "Diário" um texto chamado "Uma Mentira é Salva por Outra Mentira", em que acrescentou um episódio inexistente ao "Dom Quixote", de Cervantes. Quixote comenta com Sancho por que criaturas como eles (os chamados "cavalieri erranti") são capazes de aniquilar exércitos inteiros: é porque a primeira mentira é salva por uma segunda mentira. Isso significa que Dostoiévski não estava absolutamente certo de suas crenças, que, não obstante, tinham de ser mantidas vivas?

Esta é a pergunta mais intrigante desta entrevista, e não há possibilidade de uma resposta inequívoca. Dostoiévski acreditava incondicionalmente em suas próprias idéias? Tudo o que podemos dizer é que certamente conseguiu apresentar aquilo que se opunha a elas com uma força artística impressionante. Mas devemos ter em mente que o poder da convicção emocional sempre foi mais importante para Dostoiévski que a razão ou a racionalidade, e talvez estivesse defendendo essas convicções nesse artigo notável. Certa vez ele disse que, se alguém o convencesse de que Cristo era contrário à "verdade", preferiria ficar com Cristo a ficar com "a verdade" (o que supostamente significa a verdade da razão). Seu artigo foi escrito, devemos lembrar, quando os russos sofriam perdas terríveis durante a Guerra Russo-Turca.

Fonte: Blog da Aurora

Lei Geral da Religião

16 de setembro de 2009 § Deixe um comentário

 

BRASÍLIA – Logo após votar o texto do acordo entre o governo brasileiro e a Santa Sé , de interesse dos católicos, os deputados aprovaram, na noite de quarta-feira, o projeto batizado de Lei Geral das Religiões, de agrado dos evangélicos. É uma cópia do acordo entre Brasil e Vaticano, apenas com substituição da expressão Igreja Católica por instituições religiosas. Ambos têm os mesmos 19 artigos. A lei geral proposta vale para todas as religiões, inclusive a católica.

O acordo com o Vaticano cria o Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil e foi motivo de polêmica com os evangélicos desde o envio ao Congresso, no fim de 2008. Seus opositores acusaram o governo de privilegiar os católicos e ferir a condição do Brasil de país laico.

Os dois textos asseguram benefícios tanto para a Igreja Católica como para qualquer outra religião, como a proteção ao patrimônio e aos locais de culto, aos símbolos, imagens e objetos culturais; assegura assistência espiritual aos fiéis internados em estabelecimentos de saúde, assistência social e educação; imunidade tributária; e garante o ensino religioso nas escolas públicas de ensino fundamental.

Único partido a votar contra os dois textos, o PSOL anunciou que irá à Justiça para anular a aprovação da Lei Geral.

– Foi a aprovação da lei das compensações no mercado da fé – disse o líder do PSOL, Ivan Valente (SP).

Para que o projeto dos evangélicos tivesse a urgência aprovada para ser votado ainda na quarta, Inocêncio Oliveira (PR-PE), 2º secretário da Câmara, que presidia a sessão, pôs o requerimento em votação sem dar tempo para contestações.

Articulador do acordo pelo lado dos evangélicos, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que também foi o relator da Lei Geral, disse nesta quinta-feira que o propósito era mesmo copiar o acordo, adequá-lo e estendê-lo às demais religiões.

– Copiamos todas as cláusulas, mas no formato de projeto de lei. Não houve acordo fechado, mas uma ponderação para que se desse igualdade a todos os credos. O que ocorreu foi um acordo político para votar.

O Globo

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