Ser Para Ser, e não Para Ter

29 de junho de 2009 § 1 comentário

Matthew_4x6 Característica marcante da era da globalização é o surgimento do paradigma de que todas as coisas, ainda que aparentemente heterogêneas, possuem uma interdependência, um elo que une tudo. Assim, coisas aparentemente antagônicas como o pensamento (tecnicamente chamado de filosofia) e a arte de empreender (o agir no mercado) passam a dar as mãos e superar a máxima “o pensamento paralisa a ação”. Assim é que inúmeras pessoas que atuam no campo do pensamento (psicólogos, filósofos e religiosos) passaram a ocupar espaço na vida das empresas como consultores e motivadores. Esta guinada ou nova consciência, infelizmente é instrumentalizada e desidratada por uma velha senhora que parece insistir em não se aposentar: a Madame Ter, que entende que o fim e a razão de todas as coisas é o consumo e o acúmulo. Madame Ter, se apercebendo que seus alunos estavam se deixando seduzir por “novos” mestres, ao invés de combatê-los, resolve se aliar e dizer: “É preciso ser para ter, não se pode ter sem ser”. Os discípulos gostaram muito desta vertente. E assim, Madame Ter provou que se existe um poder horizontal capaz de transformar a realidade, este se chama mercado: pois, tudo que o mercado demanda, requer adaptação dos seus investidores: assim se sorrir para quem não se tem simpatia, se reparte quando se deseja acumular (porém visando dividendos), homens de paletó e gravata em convenção de negócios, sambam, fazem piruetas, plantam bananeira e outras coisas caquéticas, visando aquilo que o mercado pode oferecer de melhor: o ter.

Também como conseqüência da união entre o pensamento e o mercado, duas palavras que caracterizam ambos seguimentos (complexidade e interação) ganharam uma nova versão de Madame Ter: Já que a realidade é definida pelos filósofos como complexa, então o melhor é pensar de forma simples e pragmática, interagindo com as necessidades das pessoas e se apresentando como instrumento de satisfazê-las; e mais uma vez surgem os jargões “pensando em você é que desenvolvemos este produto, esta ferramenta e etc”.

Tudo que alguém que busca Ser Para Ter pode conseguir é ser uma maquiagem, uma embalagem esteticamente bonita. As maquiagens se desmancham depois da festa e as embalagens quase sempre são jogadas fora, quando não, são simplesmente engavetas, apenas para não se desfazer, mas jamais serão reutilizadas.

No Cristianismo costumamos pensar que o corpo é muito mais que uma veste e a vida mais do que o alimento, e se alguém quer descobrir a realidade do Ser não poderá fazer do ter o objetivo do Ser.

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§ Uma Resposta para Ser Para Ser, e não Para Ter

  • Miriam (Wenningta) disse:

    Me sinto na obrigação de agradecer por tão profunda análise a respeito de uma ferramenta tão sofisticada quanto traiçoeira, que é esta nova, inteligente e sutil “filosofia” da “velha senhora TER”: “ser para ter”.

    Porém, vemos claramente após ler este artigo, a providência de Deus, nos alertando para não cair nesta cilada, cujo fio é tão tênue, que com certeza, engana até os mais esforçados cristãos.

    Certamente Deus suguirá guiando a Sua Igreja na Verdade.

    Que Ele nos ajude a ter: “Ouvidos para ouvir”…

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