Missionários Romanos Em Portugal Acolhem Igreja Ortodoxa

20 de junho de 2009 § Deixe um comentário

Os imigrantes que integram a Igreja Ortodoxa Russa vão poder contar com um local de culto muito perto de S. João da Madeira. O espaço de oração vai abrir, em Julho, no Seminário das Missões, em Cucujães

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No final do mês de Junho celebra-se o dia de S. Pedro (patrono de S. Petersburgo, Rússia) e S. Paulo e talvez nessa altura já a capela esteja pronta para receber as celebrações ortodoxas. O desejo é da comunidade imigrante de Leste, em S. João da Madeira, expressa pela responsável pelo Centro de Apoio ao Trabalhador Estrangeiro (CATE), Diana Salgado, ao labor à margem das Jornadas de Museologia que decorreram na cidade na semana passada. De acordo com a responsável, os imigrantes que frequentam o centro (em busca de apoio jurídico e aulas de português) declararam ser “muito importante a ida à igreja ao domingo de manhã”. No entanto, para frequentarem as celebrações religiosas têm que se deslocar a Aveiro, Vila Nova de Gaia ou Porto, onde estão os templos mais próximos de S. João da Madeira. Em conjunto com o secretariado das migrações, os Leigos da Boa Nova, que dinamizam o CATE, conseguiram um encontro com o Vigário Geral de Portugal e Galiza da Igreja Ortodoxa Russa, o Arquimandrita Philip Jagnisz. “No princípio deve ser o arquimandrita a fazer a celebração”, conforme disse ao labor Diana Salgado. No futuro, os imigrantes devem organizar-se e as celebrações devem ser feitas uma vez por mês, ao domingo de manhã, na capela que se situa nas Missões, em Cucujães.

O espaço, que pode acolher cerca de 100 fiéis em simultâneo, só é utilizado pelos missionários “para uma ou outra actividade”. Assim, estes “optaram por ceder o espaço à igreja ortodoxa russa”, como explicou Diana Salgado ao labor. Entre a Igreja Romana e a Igreja Ortodoxa há algumas diferenças no que toca às doutrinas e à liturgia. Apesar de serem ambas católicas existem diferenças no que toca aos santos, aos ícones e às datas das celebrações. As maiores disparidades registam-se na aceitação ou não da autoridade papal e da obrigatoriedade de celibato, bem como na concepção do Espírito Santo.

“Imigrantes e Identidades”

Durante as jornadas de museologia, que decorreram a semana passada no Museu da Chapelaria, a divisão de Acção Social e Inclusão da autarquia apresentou os resultados de um estudo feito sobre a comunidade imigrante, na cidade. Segundo os dados apurados e apresentados pela socióloga da autarquia, Elsa Teixeira, a maior parte dos imigrantes que vivem ou trabalham em S. João da Madeira são mulheres, entre os 31 e os 40 anos de idade. Maioritariamente, são oriundos do Leste da Europa, sobretudo da Ucrânia. A grande maioria dos indivíduos pertencentes aos 93 agregados familiares analisados está em Portugal há mais de cinco anos e é casada. Este grupo “apresenta níveis de escolaridade elevados quando comparados com os níveis da população portuguesa no mesmo intervalo etário”, referiu a técnica que apresentou o estudo. A maior parte dos agregados familiares é composta por jovens até aos 20 anos, estudantes, de nacionalidade portuguesa. A maioria dos imigrantes partiu da sua terra natal em busca de melhores condições de vida. A escolha de Portugal como país de acolhimento prende-se com o facto dos imigrantes já cá terem amigos ou familiares. Mais de metade imigrou acompanhada pela família (cônjuge, filhos ou ambos). Na chegada a Portugal, a maioria referiu a importância das redes sociais informais para ajudas relativas a buscar trabalho, alojamento e aprender português. As maiores dificuldades que os imigrantes sentiram na integração em Portugal prendem-se com a aprendizagem da língua. No entanto, mais de metade considera que ficou a ganhar com a imigração. A maioria dos imigrantes ucranianos pensa mesmo trazer para Portugal a família e aqui se estabelecer definitivamente.

Mais de metade dos inquiridos tem autorização de residência e considera ter um nível razoável de compreensão da língua. Nos grupos de discussão focalizada os emigrantes referiram as saídas ao sábado a noite e as idas à igreja ortodoxa ao domingo de manhã como actividades importantes.

Há um fenómeno que Elsa Teixeira denominou como “Brain Waste” (“desperdício de cérebros”) que caracteriza esta comunidade. “A maior parte destes licenciados encontra-se a desempenhar funções ao nível do operariado e de serviços pouco qualificados”, explicou. Os inquiridos não destacaram factores de discriminação ou outro constrangimento no que toca aos sectores da educação e dos serviços públicos.

A chefe da divisão, Judite Silva, apresentou o estudo “em primeira-mão”, que foi desenvolvido no âmbito do ano europeu do Diálogo Intercultural 2008. O estudo foi realizado no último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009 com a colaboração das escolas, do instituto de emprego, Centro de Saúde, ACAIS, polícia, Segurança Social e CATE. “Imigrantes e Identidades” é o primeiro diagnóstico feito no concelho acerca da caracterização dos imigrantes. Foram validados 93 inquéritos por questionário, o que representa um conjunto de 93 agregados familiares e 177 indivíduos. De acordo com Judite Silva, “este número fica aquém do número de imigrantes existentes no concelho”. Muitos indivíduos não terão participado dada a situação irregular em que estão no país. Outro entrave revelado pela chefe da divisão prende-se com a barreira da língua. De acordo com Judite Silva, “depois de analisado preliminarmente os resultados, os parceiros e os imigrantes reuniram em grupos de discussão focalizada com o objectivo de re-analisar e validar os dados recolhidos”.

Por: Liliana Guimarães

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