A Igreja Ortodoxa e o Aborto

8 de março de 2009 § 2 Comentários

aborto_icone

A excomunhão realizada pelo Arcebispo de Olinda e Recife Dom José Cardoso Sobrinho dos envolvidos no aborto dos fetos gêmeos da menina que engravidara do padastro com apenas 9 anos de idade, vem gerando muita polêmica entre setores da sociedade civil e a doutrina da Igreja Romano Católica.

Muitos têm perguntado sobre o posicionamento da Igreja Ortodoxa sobre o aborto.

Hoje é o Domingo da Ortodoxia (data em que se comemora o triúnfo sobre os iconoclastas), portanto, deixemos que um dos nossos mestres mais antigos, ou seja, os santos ícones respondam à esta questão:

Comecemos por sua parte esquerda, cujas cores de fundo são mais claras (em contraste bastante evidente com a parte direita, com cores escuras representando as trevas, o mal e a morte).

Jesus Cristo, vencedor da morte, surge protegendo e abençoando, abaixo dele, uma família cristã (é de se notar os trajes modernos que vestem). Família, aliás, numerosa (pai, mãe e seis filhos). O pai carrega um dos filhos (como São José, que carrega o Menino Deus, tradicional imagem da iconografia cristã) e traz o alimento da família na mão esquerda. A mãe embala o filho ainda bebê e alimenta uma outra criança. São figuras tradicionais do pai e da mãe cristãos, essencial para o desenvolvimento dos filhos.

Acima da família cristã, surge a Sagrada Família de Nazaré. Maria carrega, em seu colo, o Senhor Deus, nascido de seu puríssimo ventre. São José, por sua vez, carrega uma criança envolta em panos brancos, símbolo, na iconografia tradicional, da alma das crianças inocentes assassinadas.

Abaixo da família cristã, numa imagem bastante contundente, temos a “Arrependida”, isto é, a mãe que, tendo cometido o monstruoso crime do aborto, chora, agora, o filho que ela própria matou. Veste-se de vermelho, o que representa o sangue inocente por ela derramado.

Na parte esquerda inferior, há a figura da mãe solteira. De um lado, ela pecou e consentiu em relações pré-nupciais (talvez, seja por isto que parte de sua vestimenta é vermelha, cor da luxúria), mas, por outro lado, manteve-se firme frente à tentação de abortar e, agora, carrega (não sem o auxílio de Deus) a Cruz de ser mãe sem a ajuda e o suporte de um esposo. Cruz esta que, se bem vivida, será sua porta de entrada para o céu depois que findar sua peregrinação terrestre.

Passemos, agora, às trevas!

Na parte direita do ícone, vemos sentada, num trono vermelho, uma rainha, chamada de “Novo Herodes”. É o próprio aborto personificado, que, como o Herodes o fez outrora, promove a matança dos inocentes no mundo moderno. Ela espezinha e massacra vários bebês e recebe ainda outros (todos em posição fetal) que as mulheres lhe oferecem. Estas mulheres estão à sua frente e personificam (de baixo para cima) a crueldade, a futilidade, a indiferença e a luxúria, sem as quais a monstruosidade do aborto não ocorreria.

Ao fundo, vemos um “médico”. No original, a palavra é também grafada entre aspas, pois, sob a aparência de um médico (que deveria usar seus talentos apenas para salvar vidas), encontra-se um assassino frio, que passa uma espada no ventre de um bebê indefeso. Se o leitor reparar bem, seu bolso está cheio de dinheiro, pois se enriquece com a matança que ele próprio promove. Ao fundo, a imagem de um dragão, a Antiga Serpente, o chamado Diabo ou Satanás, que, sedutor do mundo inteiro, seduz o “médico”, colocando-o ao seu serviço.

Pois, todos os que se colocam a serviço, direto ou indireto, do aborto, estão a serviço direto de Satanás.

Que deles (e de todos nós) o Senhor Deus tenha piedade.

 

Fonte: O texto analítico do ícone foi extraído do sitio “Veritatis Splendor”.

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§ 2 Respostas para A Igreja Ortodoxa e o Aborto

  • Jacques P. Heinsen disse:

    Se ambas igrejas católicas, a Romana e a Ortodoxa, são contra o aborto pois a vida é sagrada, é mais um ponto em comum das várias diretrizes que estão em comunhão uma com a outra, exceto pelos protestantes que pregam contra os sacramentos e ainda o livre arbítrio da bíblia levam a umas denominações a permitir o aborto. Sinal que protestantismo é coisa de divisão e Romanismo e Ortodoxia são coisas que levam a união, já que outros apóstolos que originaram os cristãos do oriente e Pedro antecedeu os papas. Gostaria de saber quais os apóstolos deram origem aos ortodoxos? Vendo as missas Ortodoxas, me sinto em casa.
    heinsen2008@hotmail.com

    • lecionario disse:

      Caro Jacques,
      Obrigado por colorar com nosso blog.
      Todos os apóstolos dão início à Igreja Ortodoxa, inclusive Pedro, cuja primeira Sé foi o Patriarcado de Antioquia, conforme atesta os Atos dos Apóstolos; São Marcos o Patriarcado de Alexandria, São Tiago o Patriarcado de Jerusalém e, Santo André (o primeiro apóstolo a ser chamado) o de Constantinopla. No entanto é bom lembrar que não existem duas, três ou mais Igrejas, apenas uma que o Credo Niceno define como sendo Una, santa, Católica e Apostólica. O Patriarcado de Roma (primus inter paris) conforme todos os Concílios Ecumênicos atestam, não tem uma fundação apostólica, mas, se tornou venerável por ser o túmulo dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, cujas festas, nos últimos anos, vem sendo celebradas em conjunto e em pé de igualdade pelos Patriarcas de Roma (Papa) e o de Constantinopla (Ecumênico). Rezemos para que o venerável Patriarcado de Roma volte a ter comunhão com todos os outros Patriarcados irmãos, para o bem da Igreja Una e para a glória de Deus.
      Fraternalmente,
      + Mateus

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