Patriarcado De Moscou Diverge do Vaticano no Caso Eluana

12 de fevereiro de 2009 § Deixe um comentário

A Igreja Ortodoxa Russa revela divergência do Vaticano no caso de Eluana (a jovem de 17 anos que morreu após ter sua alimentação artificial que a mantinha, suspensa) dizendo que “em alguns casos não se deve manter o corpo vivo articialmente”.

“Há casos em que não é claro se a alma está presente no organismo durante vários anos, quando o corpo não mostra sinais de uma vida consciente (…) Nesses casos, deveria, talvez, não se manter o corpo vivo artificialmente,” disse Vsevolod Tchapline, um porta-voz da Igreja Ortodoxa Russa à agência Interfax.

“A concepção cristã do mundo ensina às pessoas a não apressar a morte, mas não para manter viva (…) uma pessoa que se foi para o outro mundo”, continuou. “Isso não tem nada a ver com a chamada eutanásia”, disse Vsevolod Tchapline recordando que “a Igreja Ortodoxa condena este ato, como um pecado que se iguala ao homicídio e suicídio”.

Fonte: le Monde

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Novo patriarca da Igreja Ortodoxa recebe delegação do Vaticano

12 de fevereiro de 2009 § Deixe um comentário

Da EFE

Moscou, 2 fev (EFE).- O novo Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa (IOR), Kirill, se reuniu hoje com uma delegação do Vaticano liderada pelo cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos.

Kasper entregou a Kirill, de 62 anos, uma mensagem do papa Bento XVI, informou um porta-voz do Patriarcado russo à agência oficial “RIA Novosti”.

Os delegados do Vaticano parabenizaram o patriarca por sua consagração como líder da IOR, e defenderam a continuação no futuro da cooperação entre as duas Igrejas.

Kirill agradeceu aos católicos sua presença na cerimônia de entronização realizada no domingo na Catedral de Moscou.

Kasper, que visitou em várias ocasiões a Rússia nos últimos anos, se reuniu em maio do ano passado com o ex-patriarca russo Alexei II, que morreu recentemente.

Kirill é considerado um firme partidário do ecumenismo, da mesma forma que Bento XVI, com o qual se reuniu no Vaticano em 2007, o que alimentou as esperanças de que as duas Igrejas superem a divisão que lhes separa desde 1054.

Apesar de tudo, durante a homilia, Kirill assegurou que “o patriarca russo é o defensor das fronteiras canônicas exteriores da Igreja”.

As duas partes assinalaram que é prematuro falar sobre uma possível visita do pontífice romano à Rússia. EFE

Fonte: Globo.com

7ª homilia sobre S. Lucas

10 de fevereiro de 2009 § Deixe um comentário

“Estas palavras: “Donde me vem esta graça?” não são sinal de ignorância como se Isabel, toda cheia do Espírito Santo, não soubesse que a mãe do Senhor tinha vindo até ela de acordo com a vontade de Deus. Eis o sentido das suas palavras: “Que fiz eu de bom? Em que é que as minhas obras são tão importantes que a mãe do Senhor venha ver-me? Serei uma santa? Que perfeição, que fidelidade me mereceram esta graça, a visita da mãe do Senhor?” “Porque ainda a tua voz não tinha aflorado os meus ouvidos e já o meu filho exultava de alegria no meu seio”. Ele tinha sentido que o Senhor viera para santificar o seu servo ainda antes do seu nascimento.
Pode acontecer que me chamem louco os que não têm fé por eu ter acreditado nestes mistérios!… Porque o que é considerado loucura por essa gente é para mim ocasião de salvação. Na verdade, se o nascimento do Salvador não tivesse sido celeste e bem-aventurado, se não tivesse tido nada de divino e de superior à natureza humana, nunca a sua doutrina teria atingido toda a terra. Se, no seio de Maria, tivesse havido apenas um homem e não o Filho de Deus, como teria sido possível que nesse tempo, e ainda hoje, fossem curadas todas as espécies de doenças, não só do corpo mas também da alma?… Se reunirmos tudo o que se diz acerca de Jesus, podemos constatar que tudo o que foi escrito a seu respeito é considerado divino e digno de admiração, porque o seu nascimento, a sua educação, o seu poder, a sua Paixão, a sua Ressurreição não são apenas fatos que ocorreram naquele tempo: eles agem em nós ainda hoje.

Orígenes (c. 185-253)

Fonte: Evangelho Quotidiano

Um Protestante Pode Ser Salvo?

9 de fevereiro de 2009 § 6 Comentários

Um internauta me escreveu fazendo a seguinte pergunta:

> ola padre tenho uma duvida; quer dizer qeu a pessoa so se salvara se ela
> praticar o cristiansimo ortodoxo? eu que sou protestante sigo as leis de
> deus escritas na biblia, tambem eu nao me salvaria ou deveriaa eu me
> converter a ortodoxia?

Caro José,

Paz em Cristo.

Sendo vc um protestante, possui um conceito de salvação que não condiz totalmente com o ensino da Igreja.

Permita que eu me explique melhor: Todo o conceito protestante de salvação é oriundo da interpretação que os reformadores fizeram dos escritos do Apóstolo Paulo (especialmente os contidos nas epístolas aos Romanos, Gálatas e Efésios). Devido à falta de conhecimento pleno da tradição (vivência e ensino) da Igreja (apenas conheciam a tradição do ocidente, baseada em Agostinho), eles, os reformadores, entenderam salvação como sendo apenas o livramento da condenação e expiação da culpa, dentro de um processo de natureza jurídica, legal.

No entanto, a salvação vai mais além do que o perdão dos pecados e uma sentença favorável no temível tribunal de Cristo. Salvação é atingir a perfeição de Cristo, para a qual fomos predestinados (Rm. 8:29; Ef. 4:-13). A justificação é apenas uma etapa deste processo que nasce na eternidade e na eternidade alcança seu fim (Rm. 8:29-31). Este processo é chamado na Igreja Ortodoxa de “deificação”, ou seja, o homem retorna ao estado original para o qual fora criado: ser a imagem e semelhança de Deus. Por isto que São Paulo diz que sem a “santificação (processo de assimilação da natureza Divina) ninguém poderá ver a Deus” (Hebreus 12:14). “Justificação” e “Santificação” como realidades distintas e fragmentadas é um ensino herético (divisionista) que obstacula o verdadeiro conhecimento de Deus, posto que gera nas almas indolentes e utilitárias o estímulo para reter apenas o “básico” que em suas mentes obscurecidas entendem ser a justificação dos pecados, posto que esta lhes livraria da condenação do inferno.

O perdão dado a um criminoso não o torna apto a viver em sociedade, pois ele não precisa apenas de perdão, mas de uma nova consciência. Assim, também, termos os pecados perdoados não nos torna aptos ao Reino, mas, sim, o ser uma nova criatura.

O ser nova criatura é uma operação do Espírito Santo (2 Cor. 3:17,18) que reconstrói em nós a imagem Divina. E isto se dá pela nossa participação na vida Divina e, não simplesmente, por estarmos institucionalmente ligados a uma comunidade cristã (isto não quer dizer que devamos exercer nossa fé apartados ou de forma isolada, pois, sozinho, ninguém se salva, pois precisamos dos dons espirituais dos outros para alcançar a estatura de Cristo, cf Ef. 4:11-13).

A Igreja Ortodoxa, sendo a Igreja estabelecida por Cristo, fundamentada no ministério dos Apóstolos e dos seus sucessores através dos séculos, preservando fielmente o depósito da fé, sendo guiada pelo Espírito da Verdade, conforme Cristo prometeu (João 16:13) é o espaço privilegiado onde a salvação se opera; contudo, jamais poderemos afirmar que além de suas fronteiras (histórica e geograficamente limitadas), esta salvação não possa ser operada, pois, “Aqueles a quem não foi anunciado o verão, e os que não ouviram o entenderão” (Isaías 52:15; Rm 15:21), e também Ele, Cristo, é a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem (João 1:9).

Fraternalmente,

Pe. Mateus

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