Jejeum da Dormição da Santa Mãe de Deus

6 de agosto de 2010 § Deixe um comentário


Durante os primeiros quatorzes dias de agosto, durante cada ano, a Santa Igreja Ortodoxa entra em um período de jejum rigoroso, em honra da Mãe de Deus, a Virgem Maria. O eminente teólogo ortodoxo, padre Sergei Bulgakov, lindamente expressa a alta consideração que os cristãos ortodoxos têm à Virgem Maria, Mãe de Deus, por seu papel especial na salvação da humanidade, quando ele afirma: “A fervente veneração da Theotokos é a alma da Piedade Ortodoxa.” S. João Damasceno, um dos grandes padres ortodoxos, salientou que, quando a Virgem Maria se tornou a Mãe de Deus e deu à luz a Cristo, o Redentor da humanidade, ela se tornou a mãe da humanidade. Chamamos a Virgem Maria “Theotokos” (termo grego que significa “genitora de Deus” ou “portadora de Deus”). Este é o mais alto título que pode ser concedido a qualquer membro da raça humana.

A Theotokos, a Virgem Maria, foi “bendita entre as mulheres”, e ela foi escolhida “para amparar o Salvador das nossas almas.” Portanto, nós, como cristãos ortodoxos, a consideramos rainha de todos os santos e anjos. Sabendo que ela tem um lugar tão elevado no Reino do Céu e que ela é eternamente presente no trono de Deus intercedendo pela humanidade, nós, como bons cristãos ortodoxos que somos, devemos rezar por seu amor, orientação e proteção. Nunca devemos nos esquecer de pedir sua intercessão em casos de doença e perigo, e devemos sempre agradecer a sua atenção e suas orações em nosso favor.

Anualmente, a Igreja Ortodoxa dedica os primeiros quatorzes dias de agosto em homenagem a Virgem Maria. Este período é rápido, atingiu o clímax em 15 de agosto, quando a Igreja se reúne para celebrar a grande festa da Dormição (falecimento), da Theotokos. Durante este período de jejum de quatorze dias, a Igreja Ortodoxa prescreve que o Ofício de Paraclesis seja realizado em honra da Mãe de Deus.

A palavra “paraclesis” tem dois significados diferentes: o primeiro é “consolação”, a partir da qual o Espírito Santo é chamado de “Paráclito”, ou “Consolador”; o segundo é “súplica” ou “petição”. O Ofício de Paraclesis a Theotokos é composto de hinos de súplica para obter consolação e coragem. Deve ser recitado em momentos de tentação, desânimo ou doença. É utilizado mais particularmente durante as duas semanas antes da Dormição ou Assunção, da Theotokos, a partir de 1 de agosto a de 14 agosto. O tema central destes Ofícios de Paraclesis é em torno da petição: “Santíssima Mãe de Deus, salvai-nos.

Se você tem um problema ou se algo está sobrecarregando a sua alma; se você se sente espiritualmente inquieto e se você não estiver em paz consigo mesmo e com aqueles que estão ao seu redor, então, você deve vir para a Igreja durante a primeira quinzena de agosto e pedir a intercessão da Mãe de Deus. Mesmo que você seja afortunadamente um dos poucos que estão em paz consigo mesmo e com Deus, então, estes tais bem aventurados devem vir a esses ofícios e agradecer a Deus e a Sua Mãe Santíssima as bênçãos que eles derramaram sobre você e sua família.

Uma vez que estes Ofícios de Paraclesis a Theotokos são principalmente petição para o bem da vida, permita que toda a Igreja ore por você durante os primeiros quinze dias do mês de Agosto e, especialmente, sobre a Grande Festa da Dormição da Theotokos, 15 de agosto. Não deixe sua preguiça e sua apatia fazer com que você perca esta grande bênção e inspiração que a Igreja pode lhe conceder. Deixe que a paz e santidade que a Mãe de Deus pode lhe dar entrar em sua vida. “Deixemos de lado todas as preocupações terrenas”, e participemos, verdadeiramente, durante estes quinze dias, do jejum e oração da vida da Igreja, para que possamos “provar e ver que o Senhor é bom” e para que possamos experimentar totalmente as bênçãos espirituais que a Igreja oferece-nos neste momento sagrado. “Bem aventurado aquele a quem ele achar vigiando.” Venha rezar à Theotokos conosco e com a Igreja, pois, por suas orações e intercessões, nossas almas podem ser salvas!
Santíssima Theotokos, salvai o Brasil**!


Fonte: Igreja de Antioquia (Arquidiocese Norte-Americana)
* Tradução do original inglês (Google Tradutor)
** Originalmente “Estados Unidos da América”
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Novo Endereço do Observatório

13 de julho de 2010 § Deixe um comentário

Caros amigos leitores deste blog,

O Observatório Ortodoxo está agora em outro endereço. Para ler postagens mais recentes (embora algumas antigas estejam sendo republicadas no novo endereço), clique aqui.

Os russos aprovam restitução de bens religiosos à Igreja Ortodoxa

4 de julho de 2010 § Deixe um comentário

 

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Quase a metade dos russos aprovam a restituição à Igreja Ortodoxa Russa de templos, ícones e de outros “bens religiosos”, que se encontram agora nas mãos do Estado. Uma prova disso são resultados da pesquisa social, realizada pelo Centro Nacional de Pesquisas da Opinião Pública. Estes dados foram publicados pelo jornal Vremia Novostei. Metade dos respondentes deu resposta positiva a esta questão. 60 % dos russos acham importante a questão de pertença destes bens que na época soviética tinham sido entregues ao Estado. Note-se que esta questão é considerada importante tanto por ortodoxos, como por pessoas que se consideram ateus. Os sociólogos afirmam que este resultado da pesquisa é relacionado ao crescimento da religiosidade da população da Rússia, que se verifica nos últimos anos.

Fonte: Voz da Rússia

Itália entra com recurso contra proibição de crucifixos em escolas

4 de julho de 2010 § Deixe um comentário

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Numa ação conjunta com dez países europeus, o governo italiano entrou com um recurso nesta quarta-feira no Tribunal Europeu de Direitos Humanos em Estrasburgo, na França, pedindo que a proibição da colocação de crucifixos em salas de aula do país seja suspensa. A decisão foi tomada em novembro do ano passado, e afirmava que símbolos da igreja em escolas públicas italianas "restringiam o direito dos pais de educar seus filhos de acordo com suas convicções". O caso acentuou as divisões entre os grupos de defesa dos direitos humanos e religiosos. (Foto: Grupo protesta contra proibição do crucifixo em escolas em novembro)
A aliança de países católicos e ortodoxos – Rússia, Grécia, Armênia, Bulgária, Chipre, Lituânia, Malta, Mônaco, San Marino e Romênia – no recurso reflete a preocupação de que a Corte estabeleça um rigoroso secularismo por toda a Europa. Um grupo composto por 33 membros do Parlamento Europeu também apoiou o recurso contra a proibição, que chocou o país e o Vaticano num momento em que a Itália e outros Estados europeus debatem os direitos de imigração e religião para os muçulmanos.
Tribunais italianos já declararam que a exibição de crucifixos é parte da identidade nacional italiana, e não uma tentativa de conversão. A participação de Moscou reflete o ativismo crescente da Igreja Ortodoxa Russa, que se juntou à Católica Romana para denunciar o secularismo generalizado de um continente que já foi sinônimo do termo "Cristandade".
As decisões da Corte – um braço do Conselho da Europa, foro europeu para questões relativas a direitos humanos – valem para os 47 países membros do conselho. Portanto, outras nações além da Itália serão afetadas pela medida.
O caso contra os crucifixos foi levado ao tribunal por uma mãe italiana que argumentou que, segundo a constituição da Itália, seus filhos têm direito a uma educação não religiosa.
"Dez Estados estão, de fato, explicando ao tribunal qual é o limite da sua jurisdição, e qual é o limite da sua capacidade de criar novos "direitos" contra a vontade dos seus Estados membros", disse em um comunicado Gregor Puppinck, diretor do Centro Europeu para a Justiça e o Direito, baseado em Estrasburgo.
Durante a audiência que durou três horas, o advogado italiano Nicola Lettieri afirmou que a lei só viola a Convenção Europeia dos Direitos Humanos se a exigência de um crucifixo tiver como alvo a conversão dos alunos ao cristianismo.
– Um crucifixo na sala de aula não está ali para doutrinar ninguém, mas está como uma forma de expressar um sentimento popular cerne da identidade nacional italiana – afirmou o advogado.
A decisão da Corte sairá em alguns meses. Se o governo perder o recurso no Tribunal Europeu, é possível que todos os símbolos religiosos exibidos em salas de aula na União Europeia acabem sendo proibidos. A lei italiana que determinava que crucifixos fossem pendurados em escolas data da década de 1920. Em 1984, um acordo entre o Vaticano e o governo italiano suspendeu a adoção do Catolicismo como religião do Estado. A lei do crucifixo, no entanto, nunca foi alterada. O Globo/Agências internacionais

Um Balanço Positivo

17 de junho de 2010 § Deixe um comentário

A santa Igreja Ortodoxa no Brasil (sob Jurisdição da Igreja Ortodoxa Ukraniana na América) muito se alegrou com a visita do nosso Arcebispo Maior para as Américas Central e do Sul, Vladyka Chrysóstomos.

Foi – sob todos os pontos de vista – uma experiência muito rica e edificante. Dom Chrysóstomos se mostrou para nós, não somente um autêntico bispo, como também, um irmão e amigo (parafraseando suas próprias palavras).

Em que nos enriqueceu a visita de nosso Arcebispo?

Fomos enriquecidos por seu exemplo de zelo apostólico e amor paternal, revelados

Arquidiácono Nicolás
Arquidiácono Nicolás

em seu trato com o Altar, com o clero e os fiéis; sempre disposto a ensinar como um amigo, ignorando o cansaço imposto por uma agenda sobrecarregada pela exigüidade do tempo em relação às necessidades da Igreja. Literalmente o Arcebispo não descansou durante os sete dias de visitas, o que nos constrangia um pouco, no entanto ele nos confortava: “Eu não vim ao Brasil para fazer turismo, mas para ajudar a Igreja”. Sem pedir e nem aceitar donativos (refiro-me à prática da Simonia, infelizmente presente em alguns prelados), antes nos trazendo donativos que sabemos estar acima de suas posses. Aqui, também, queremos expressar nossa gratidão e apreço ao Reverendo Padre Arquidiácono Nicolás (mui talentoso iconógrafo e agraciado por muitos outros dons) que participou de todos os donativos.

Fomos enriquecidos com sua ênfase e estímulo para a vida de santidade (razão da vida cristã), nos dando lições práticas da vida de oração e de ética cristã.

Fomos enriquecidos canonicamente, posto que por seus atos e decretos, sanou deficiências e solidificou nossa identidade.

O Arcebispo Chrysóstomos nos fortaleceu o ânimo com sua visão de lutar pelo estabelecimento de uma Ortodoxia para Latino-Americanos, a qual é ao mesmo tempo, pluri-étnica (posto que não rechaça nenhuma outra etnia). Este é um grande desafio, para o qual nos sentimos indignos, mas dispostos a servir a Deus, conforme o Seu beneplácito.

Padre Mateus

Sobre a Quaresma, a Data da Páscoa e o Carnaval

11 de fevereiro de 2010 § Deixe um comentário

O Combate do carnaval e da Quaresma de Peter Brueghel, "o Velho"

O Jornalista Carlos Orsi em seu blog do Estadão ao tentar explicar a data do Carnaval (Por que o Carnaval É No Carnaval?), termina por fazer uma excelente abordagem sob a data da Páscoa. Várias pessoas postaram comentários. Segue cópia do meu texto:

Sr. Carlos,

Parabéns pelo estilo jovial ao expor uma questão complexa para o entendimento laico e, Tb pela educação refinada nas respostas às críticas duras (ao meu ver improcedentes).

O “Bart” fez uma observação que é uma verdade parcial (realidade apenas nas Igrejas Ocidentais sob a jurisdição do Bispo de Roma, isto é, Católica Romana) qt à redução do jejum da Quaresma. Na Igreja Ortodoxa – quer no Oriente ou no Ocidente (e nas igrejas orientais sob jurisdição de Roma) o jejum é integral, terminando logo após a Liturgia Pascal, ou seja, após às 12h do Domingo da Ressurreição.

Também o início da Quaresma não é na quarta-feira de cinzas, e sim, no domingo de carnaval(1), fazendo contraste com a festa pagã (que diga-se de passagem traz em seu bojo uma dimensão mística; mas isto é outro assunto). Portanto, a Igreja Ortodoxa observa até o dias de hoje a tradição iniciada no Concílio de Nicéia, 325 dC, tradição esta que foi comum tanto no Oriente como no Ocidente até a reforma do Papa Gregório VII (que instituiu o calendário Gregoriano) e, a partir daí o Ocidente latino seguiu um caminho próprio, deixando a Tradição Ecumênica ou Católica.

Obs. A Páscoa nunca foi uma festa pagã. Ela surgiu por ocasião da saída dos Israelitas do Egito (cerca de 15 séculos antes de Cristo) em comemoração à libertação que Deus provera a Israel. Cristo foi sacrificado na Páscoa (por isto a simbologia do cordeiro que é comido na refeição, revida na Cerimônia Eucarística. Páscoa significa “passagem”( a morte e ressurreição de Cristo nos possibilita a passagem da morte para a vida. Em ambas tradições, a judaica e a cristã, a Páscoa nasce de uma experiência com o Deus Único. Não tendo nenhuma ligação com o paganismo.

Atenciosamente,

Pe. Mateus (Antonio Eça)

pe.mateus@igrejaortodoxa.org

Observação:

O Blog “Seleta Envelhecida” também trás uma boa matéria sobre o “Ciclo do Carnaval”, apesar de algumas nuanças refletirem uma tradição particular da Igreja de Roma e não da Ortodoxia.

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(1) A rigor a Grande Quaresma é contada a partir da segunda-feira logo após o “Domingo da Abstenção de Queijo” o qual é precedido do “Domingo da Abstenção da Carne” (no calendário civil, domingo de carnaval) fechando, assim, o Ciclo do Triodion que consiste numa Pré-Quaresma, adaptando os fiéis para a grande jornada até a Páscoa.

A Virgindade Perpétua da Santa Mãe de Deus – Diálogo com um Adventista – Parte III

9 de fevereiro de 2010 § Deixe um comentário

Pedimos aos interessados aguardar um pouco mais a publicação deste artigo (previsto para o início da Quaresma de Páscoa).

Fraternalmente,

Pe. Mateus